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Contaminações por superbactéria no DF aumentam 70% em 2 semanas Total de pacientes infectados passou de 108 para 183 em 17 hospitais públicos e privados


BRASÍLIA - O número de pessoas contaminadas pela bactéria Klebsiella pneumoniae carbapenemase (KPC) no Distrito Federal (DF) aumentou 69,44% em menos de duas semanas.
Celso Junior/AE
Celso Junior/AE
KPC aumenta o risco de infecção generalizada (sepse)
Segundo informações divulgadas nesta quinta-feira, 21, pela Secretaria da Saúde do DF, o total passou de 108, no dia 8 de outubro, para 183, em 17 hospitais. Na última sexta-feira, os registros somavam 135 casos.
Dos 183 portadores da KPC, um micro-organismo resistente a antibióticos, 46 tiveram quadro de infecção e 61 continuam internados em hospitais públicos e privados do DF. O número de mortes também aumentou, de 15, na última sexta, para 18.
Na semana passada, a Gerência de Investigação e Prevenção das Infecções da secretaria, responsável pelo levantamento da situação nos hospitais, confirmou 15 mortes relacionadas à infecção, e descartou três casos suspeitos. Na última quarta, o dado foi novamente revisto e foram confirmados 18 óbitos.
A secretaria informou que estão em falta nos hospitais do DF alguns materiais e insumos. O estoque deve ser reabastecido até o fim desta semana, por meio de compra emergencial.
O motivo alegado pelo órgão para a falta do material é que, com o aumento do número de casos de contaminação pela superbactéria, houve uma demanda maior por produtos descartáveis e de higiene, o que levou ao desabastecimento antes que o novo lote de produtos fosse adquirido.
Outra razão é a suspensão, pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal, de licitações que incluíam esses produtos. O órgão encontrou inconsistências no modelo padrão de edital usado pelo governo do DF.
O que é uma superbactéria
No organismo humano, naturalmente há uma maior quantidade de bactérias que de células. Se uma pessoa faz uso indiscriminado de antibióticos, acaba matando mais micro-organismos que o necessário para o paciente se curar da doença. Com isso, elimina bactérias inofensivas e restam as mais resistentes, que se proliferam e dão origem a uma linhagem de superbactérias.
Segundo Ana Cristina Gales, professora de infectologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), essa versão de que a resistência bacteriana se dá apenas pelo abuso de antibióticos é simplista. "As razões que levam uma bactéria a driblar a ação dos remédios não são totalmente conhecidas. O abuso do medicamento pode interferir, mas não é o único fator", diz.
Além disso, os antibióticos são levados para o ambiente de diversas formas. Uma das maneiras de os micro-organismos do ambiente terem contato com antibióticos é por meio de dejetos de esgotos de hospitais e da produção da indústria. Outro ponto relevante é o uso dos medicamentos na agricultura e no tratamento de animais.
A superbactéria não provoca nenhum sintoma; o que ela faz é aumentar o risco de infecção generalizada (sepse) e morte do paciente.


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