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Resenha do livro: POSTMAN, Neil. O Desaparecimento da Infância.

Resenha do livro: POSTMAN, Neil. O Desaparecimento da Infância. Tradução: Suzana Menescal de A. Carvalho e José Laurenio de Melo. Rio d...

TÁ CHEGANDO O DIA DA INFÂNCIA.... REFLITA !




Instituído pela UNICEF em 24 de agosto, o Dia da Infância é bem diferente do tradicional e popular Dia das Crianças, comemorado no dia 12 de outubro. Nele, a idéia não é presentear os pequenos com brinquedos, agrados e regalias, mas sim, promover uma reflexão sobre as condições de vida de nossas crianças em todo o mundo. Fala se de direitos e deveres para com elas.

Somente a partir do final do século  XVII  é que a criança passou a ser valorizada,  constituindo-se em objeto de interesse psicológico, através particularmente do interesse do pai da Psicanálise,  Sigmund Freud, que considerou a infância como condição fundamental do humano.
            Assim, ao longo dos trabalhos de Freud, em especial nos seus casos clínicos, nos deparamos com a neurose infantil como peça chave para o entendimento dos distúrbios psíquicos na vida adulta.
            Em seguida, surge no panorama psicanalítico Melanie Klein, que passou a investigar e trabalhar com crianças muito pequenas e a observar, inclusive, o comportamento de bebês, o que lhe possibilitou dar uma contribuição inigualável para o progresso da Psicanálise, em particular, para a Psicanálise de Crianças.
            A partir daí, Bion e Winnicott, e tantos outros cujos nomes seria impossível destacar aqui, deram novas e valorosas contribuições para o incremento da teoria psicanalítica, principalmente no tocante à compreensão do desenvolvimento da mente primitiva.
Dito isto, estamos agora diante do nosso questionamento: a criança de Freud, de Klein, de Winnicott, de Bion, seria a mesma criança de hoje ? Esta é uma indagação que precisa ficar em aberto num amplo campo de investigação, particularmente para aqueles que se dedicam à Psicanálise de Crianças ou a pacientes adultos muito regredidos.
            Após o término da II Guerra Mundial, as patologias “borderlines” passaram a ocupar o primeiro plano na clínica psicanalítica, requerendo do analista uma habilidade especial.
            Nessas patologias, que não podem ser incluídas nem no quadro das neuroses nem das psicoses, supõe-se terem ocorrido no desenvolvimento emocional do indivíduo falhas básicas ambientais, que ultrapassaram os limites toleráveis para a psique do lactente.
            Assim, desde a mais tenra infância, estruturam-se as bases da personalidade, através dos cuidados ambientais: da segurança, do carinho, da pele psíquica dos pais e cuidadores, É também a partir daí que começam a ser introjetados pelo bebê, através do processo identificatório, resultante de uma multiplicidade de identificações parciais, os primeiros valores sócio-culturais, particularmente os da família. E agora perguntamos novamente: Como está a família hoje?
            
A resposta também não é simples, mas podemos verificar através de dados de observação e pesquisa, a existência de uma crise, em face da modificação profunda em sua estrutura.
            Hoje, não se pode mais falar de uma só família. A unidade familiar mãe-pai-filho, tão valorizada pelas teorias psicanalíticas, cada vez mais cede lugar a famílias mononucleares ou à inclusão dos novos cônjuges dos pais separados como também dos novos filhos. O casamento entre homossexuais já  é uma realidade e já se discute a adoção de crianças por esses casais.
            A autoridade  incontestável do homem, provedor e chefe de família, enquanto a mulher ficava encarregada dos cuidados da casa e dos filhos, foi alterada  na medida em que a mulher passou a ter o seu próprio projeto de vida, conquistando também o mercado de trabalho.
            Como a licença-gestante é de 4 meses apenas, a mãe trabalhadora tem que, após esse período, voltar ao trabalho, momento no qual, de um modo geral, inicia o desmame do bebê, segundo nos parece, precocemente e num momento delicado do seu desenvolvimento emocional, quando ele começa a lidar com perdas, separações, luto. O bebê, além de se separar da mãe, passa a enfrentar situações novas, como creches ou babás, muitas delas despreparadas para exercer a função de “mãe-substituta”.
            Como se tudo isso não bastasse, hoje pais e filhos vivem numa sociedade globalizada, dominada pela invasão de imagens, pela televisão, onde o espaço para indagação e reflexão está cada vez menor e onde a febre do consumo tampona as faltas, a castração, a dor psíquica. Conseqüentemente, podemos inferir que a criança de hoje, no tocante às influências sócio-culturais, é bem diferente da de Freud e Klein. 
          Finalizando, levanto então o questionamento principal, indagando: O quer uma criança ?  A resposta é complexa. Mas, a princípio, diria que uma criança quer amor: ser desejada por um casal, quer encontrar um ambiente intra-uterino acolhedor, uma " mãe suficientemente boa" ( Winnicott,1956), com capacidade de "reverie" (Bion, 1962) , um pai e uma família saudáveis. Mas, infelizmente, embora seja esse o desejo da maioria dos pais, isto não acontece, pois eles também não têm introjetados  pais suficientemente bons. E esse impasse transgeracional vai caminhando no mundo de hoje, no qual a violência e o narcisismo estão fortemente inscritos.

Diante dessas vicissitudes da infância , penso que cabe a nós nos preocuparmos mais com os aspectos preventivos, particularmente no trabalho com  casais, gestantes e intervenções precoces nas relações mães-bebês. Quem sabe, assim, contribuiremos para um mundo melhor.

Deixemos nossas crianças viver como crianças brincando sempre ao trilhar o caminho rumo à construção de um ser mais humano e mais divino. 


fontes:www.uesb.br

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