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Resenha do livro: POSTMAN, Neil. O Desaparecimento da Infância.

Resenha do livro: POSTMAN, Neil. O Desaparecimento da Infância. Tradução: Suzana Menescal de A. Carvalho e José Laurenio de Melo. Rio d...

Você sabe o que seu filho vê?



A Mídia na Vida Diária

Da mesma forma que a invenção da imprensa em meados do século XV modificou profundamente a sociedade e a história, assim também as mudanças fenomenológicas na tecnologia de comunicações do século XX estão alterando a sociedade à medida que nos aproximamos do novo milênio. A Era Industrial está rapidamente dando lugar à Era da Informação. O rápido desenvolvimento dos meios de comunicação de massa, ao longo do século XX, modificou a forma como vivemos e a forma como nossos filhos aprendem a passar seu tempo. Talvez a mudança mais revolucionária para as famílias e as crianças tenha sido a invenção de um poderosíssimo professor eletrônico: a televisão.
A televisão não é apenas onipresente, mas também ocupa um papel proeminente na vida das crianças. A criança média norte-americana passa aproximadamente 28 horas por semana assistindo televisão. No período de um ano, as crianças norte-americanas em idade escolar passam duas vezes mais tempo assistindo TV do que na sala de aula. O tempo gasto em frente ao televisor ou tela de vídeo corresponde à maior parcela de tempo investida desde o despertar da vida de uma criança norte-americana. Para muitas famílias, a televisão é parte da sua formação. A família norte-americana média tem o televisor ligado durante sete horas por dia. Sessenta por cento das famílias têm o televisor ligado durante as refeições. Os pais muito ocupados podem utilizar a televisão como uma babá.
As crianças passam hoje mais tempo aprendendo sobre a vida na mídia do que em qualquer outra forma. A mídia eletrônica é um professor notável para a juventude de hoje, bem como a atrai fortemente. A combinação de informações visuais com auditivas faz a televisão, os vídeos e os vídeo games e computadores muito mais atraentes do que outros meios de comunicação de massa, tais como os livros.
As décadas recentes trouxeram mudanças adicionais. A TV a cabo, videocassetes, vídeo games interativos e computadores pessoais apareceram, cada vez mais, nos lares. Essas invenções não apenas afetaram a quantidade de tempo gasto pelas crianças em frente a uma tela, como também fizeram mudanças significativas no que elas estão assistindo. Os videocassetes, por exemplo, permitem que as crianças assistam filmes e a programação veiculada tarde da noite, a qual não está direcionada para elas. A TV a cabo e a Internet expandiram amplamente o número de opções e forneceram acesso ao entretenimento adulto. Isto gera um desenvolvimento precoce da sexualidade dentre outras coisas.
Há uma correlação inversa entre o status sócio-econômico e o tempo de permanência frente ao televisor: quanto mais baixa a renda familiar maior o tempo gasto pelas crianças daquela família assistindo TV.

Apesar das múltiplas causas da violência, a exibição de violência na mídia tem efeitos inequívocos. Há correlações significativas entre a freqüente exposição à violência na televisão e o comportamento agressivo, e as evidências indicam claramente que o último é uma conseqüência da primeira.

Abaixo alguns conselhos para os pais:

1.   Fique alerta para os programas que seus filhos assistem. Estas sugestões são importantes para todas as crianças, principalmente para as mais jovens: quanto mais jovem a criança, mais impressionável ela é.
2.   Evite usar a televisão, vídeos ou video games como se fossem uma babá. Pode ser conveniente para pais muito ocupados, mas pode acabar se tornando um padrão usual se utilizar a mídia para entretenimento e diversão. Simplesmente desligar os aparelhos não é, nem de longe, tão eficaz como planejar alguma outra atividade divertida para a família.
3.   Limite o uso da mídia. O uso da televisão deve ser limitado a não mais de uma ou duas horas de boa qualidade por dia. Estabeleça também limites de acordo com a situação: nada de televisão ou video games antes da aula, durante o dia, na hora das refeições ou antes que o tema de casa esteja feito.
4.   Mantenha aparelhos de TV e de video games fora dos quartos dos seus filhos. Colocá-los lá encoraja o uso e diminui a capacidade de controle.
5.   Desligue o televisor durante as refeições. Utilize esse tempo para conversar e manter contatos familiares.
6.   Ligue a TV somente quando houver algo específico que você decidiu que vale a pena assistir. Não ligue a TV para ver se está passando alguma coisa. Decida com antecedência se vale a pena assistir o programa. Identifique programas de alta qualidade, utilizando avaliações ao selecioná-los.
7.   Não transforme a TV no ponto central da casa. Evite colocar a TV no lugar mais importante. As famílias assistirão menos TV ou jogarão menos vídeo se os aparelhos não estiverem literalmente situados no centro de suas vidas.
8.   Assista o programa que seus filhos estiverem assistindo. Isso permitirá a você saber o que eles estão assistindo e lhe dará uma oportunidade de discuti-lo com eles. Seja ativo: fale e faça conexões com seus filhos enquanto assistem o programa.
9.   Tome cuidado especial ao assistir programas antes de ir dormir. Imagens que provocam emoção podem perdurar e atrapalhar o sono.
10.       Informe-se sobre os filmes que estão passando e sobre os vídeos disponíveis para venda ou aluguel. Seja explícito com seus filhos sobre suas diretrizes quanto a filmes apropriados e analise, antecipadamente, as escolhas de filmes propostos.
11.       Torne-se um alfabetizado em mídia. Isso significa aprender a avaliar criticamente as ofertas da mídia. Primeiro aprenda você e depois ensine a seus filhos. Aprenda sobre publicidade e ensine seus filhos a respeito de sua influência nos meios de comunicação que eles usam.
12.       Limite sua própria permanência frente à televisão. Dê um bom exemplo através de sua moderação e discriminação ao assistir programas. Seja cuidadoso quando as crianças estiverem por perto e possam observar seu programa.
13.       Faça-se ouvir. Todos necessitamos elevar nossas vozes de tal forma que sejamos ouvidos por quem toma as decisões sobre a programação e por seus patrocinadores. É necessário que insistamos numa melhor programação para nossos filhos.
14.       Uma expressão popular muito utilizada diz: um exemplo vale por mil palavras. Se considerarmos que a imagem é também um exemplo, podemos, por analogia, fazer a mesma afirmação.
Os educadores, talvez mais do que outros profissionais, sabem o poder didático que qualquer imagem tem e se utilizam deste recurso com grande freqüência, pode-se dizer, até, diariamente. A imagem tem o poder de criar e recriar a realidade.
Vamos refletir sobre isto e fazer valer nossa condição de pais educadores e construtores de uma nação mais crítica e reflexiva.
Danubia Rocha  
Baseado no livro:A televisão e a violência de (Maria Beatriz Gomes da Silva)

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