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Resenha do livro: POSTMAN, Neil. O Desaparecimento da Infância. Tradução: Suzana Menescal de A. Carvalho e José Laurenio de Melo. Rio d...

Liquidez do ser humano.... Bauman e seu conceito de modernidade líquida




É líquido, não é para durar mesmo. Segundo Bauman, vivemos em tempos de liquidez generalizada. Amor líquido, dinheiro líquido, amizades líquidas, profissionalismo líquido, o que causa uma inquietude interior por não encontrar a solidez que se precisa para ser feliz. Segundo o autor, o homem precisa  para ser feliz de dois valores essenciais que são absolutamente indispensáveis; um é segurança e o outro é liberdade. Você não consegue ser feliz na ausência de um deles. Segurança sem liberdade é escravidão. Liberdade sem segurança é um completo caos.


"A modernidade líquida em que vivemos traz consigo a misteriosa fragilidade dos laços humanos - um amor líquido. A insegurança inspirada por essa condição estimula desejos conflitantes de estreitar laços e ao mesmo tempo mantê - los frouxos"
                                                                               Zygmunt Bauman (Amor Líquido, 2003)
A fragilidade também toma seu lugar nas relações familiares, com cada membro isolado em seu quarto, cada qual conectado em um computador diferente. Se o celular nos permite estar acessíveis a toda hora e em qualquer lugar, a contiguidade geográfica não assegura um relacionamento mais consistente. Estamos fisicamente juntos, espiritualmente separados.
Ele se utiliza do termo líquido, para designar a “falta de forma” das coisas em estado líquido. O líquido toma a forma que tem por exemplo uma taça, mas se colocarmos em uma caixa de acrílico terá outra forma. Por esta concepção ele compara a nossa sociedade ao conceito ser de líquida. Seja de ordem afetiva, psicossocial ou material.
O homem busca no consumismo da sociedade imediatista, a tão sonhada felicidade. O seu valor está intrinsecamente relacionado ao seu poder de compra. Assim se afasta cada vez mais de sua humanidade, atrelando seu destino a uma sucessão de fatos fragmentados e sem sentido lógico. Resumindo sua vida inteira em uma mensagem de texto, um email, uma curtida. São sentimentos trocados por sensações. As relações se misturam e se condensam com laços momentâneos, frágeis e volúveis. Num mundo cada vez mais dinâmico, fluído e veloz. Seja real ou virtual.
Bauman crê que os relacionamentos a dois não podem se desenrolar à parte da cena social, das regras do jogo estabelecidas pela sociedade global. Nada pode, segundo ele, fugir deste complexo panorama, do moderno fenômeno conhecido como globalização. Aliás, este autor é também famoso por suas agudas pesquisas sobre os vínculos entre os tempos modernos, o Holocausto e o frenético consumo da era pós-moderna.
Para o sociólogo, a fluidez dos vínculos, que marca a sociedade contemporânea, encontra-se inevitavelmente inserida nas próprias características da modernidade, discussão esta que está perfeitamente retratada nas primeiras obras do autor. É impossível fugir das consequências da globalização, com suas vertiginosas ondas de informação e de novas idéias. Tudo ocorre com intensa velocidade, o que também se reflete nas relações entre as pessoas.

Acostumados com o mundo virtual e com a facilidade de “desconectar-se”, as pessoas não conseguem manter um relacionamento. É um “amor sintético", feito de plástico,  criado pela sociedade atual (modernidade líquida) para tirar-lhes a responsabilidade de relacionamentos sérios e duradouros. A palavra de ordem é o prazer.  Pessoas estão sendo tratadas como bens de consumo, ou seja, caso exista algo que desagrade uma das partes, ou um "defeito",  descarta-se - ou até mesmo troca-se por "versões mais atualizadas".
ZYGMUNT BAUMAN, sociólogo polonês, iniciou sua carreira na Universidade de Varsóvia, onde ocupou a cátedra de Sociologia Geral. Teve artigos e livros censurados e em 1968 foi afastado da Universidade. Emigrou da Polônia, reconstruindo a sua vida no Canadá, Estados Unidos e Austrália, até chegar à Grã-Bretanha, onde em 1971 se tornou professor titular de Sociologia da Universidade de Leeds. Recebeu os prêmios "Amalfi" ( em 1989, pelo livro "Modernidade e Holocausto") e "Adorno" ( em 1998, pelo conjunto de sua obra). Aos 87 anos, Bauman tem cerca de 30 livros publicados e "Amor Líquido" é, talvez, seu livro mais popular no Brasil.


No Brasil é possível encontrar pelo menos dezesseis de seus livros traduzidos para o português, todos pela Jorge Zahar Editor. Entre eles os principais são Amor Líquido, Globalização: as Conseqüências Humanas e Vidas Desperdiçadas. Em 1989 ele conquistou o prêmio Amalfi, por sua publicação Modernidade e Holocausto; em 1998, obteve a premiação Adorno, pela totalidade de sua obra. Hoje, Bauman leciona nas Universidades de Leeds e de Varsóvia.

Danúbia Rocha



Referências:
http://lounge.obviousmag.org/de_dentro_da_cartola/2013/11/zygmunt-bauman-vivemos-tempos-liquidos-nada-e-para-durar.html#ixzz3YzDANEFd
http://www.pdflivros.com/2013/11/baixar-amor-liquido-zygmunt-bauman.html#sthash.FSYjfjPk.dpuf

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