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Resenha do livro: POSTMAN, Neil. O Desaparecimento da Infância. Tradução: Suzana Menescal de A. Carvalho e José Laurenio de Melo. Rio d...

Skinner


B. F. Skinner - O cientista do comportamento e do aprendizado

Para o psicólogo behaviorista norteamericano, a educação deve ser planejada passo a passo, de modo a obter os resultados desejados na "modelagem" do aluno

Márcio Ferrari



Nenhum pensador ou cientista do século 20 levou tão longe a crença na possibilidade de controlar e moldar o comportamento humano como o norte-americano Burrhus Frederic Skinner (1904-1990). Sua obra é a expressão mais célebre do behaviorismo, corrente que dominou o pensamento e a prática da psicologia, em escolas e consultórios, até os anos 1950.


O behaviorismo restringe seu estudo ao comportamento (behavior, em inglês), tomado como um conjunto de reações dos organismos aos estímulos externos. Seu princípio é que só é possível teorizar e agir sobre o que é cientificamente observável. Com isso, ficam descartados conceitos e categorias centrais para outras correntes teóricas, como consciência, vontade, inteligência, emoção e memória – os estados mentais ou subjetivos.


Os adeptos do behaviorismo costumam se interessar pelo processo de aprendizado como um agente de mudança do comportamento. "Skinner revela em várias passagens a confiança no planejamento da educação, com base em uma ciência do comportamento humano, como possibilidade de evolução da cultura", diz Maria de Lourdes Bara Zanotto, professora de psicologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Condicionamento operante
O conceito-chave do pensamento de Skinner é o de condicionamento operante, que ele acrescentou à noção de reflexo condicionado, formulada pelo cientista russo Ivan Pavlov. Os dois conceitos estão essencialmente ligados à fisiologia do organismo, seja animal ou humano. O reflexo condicionado é uma reação a um estímulo casual. O condicionamento operante é um mecanismo que premia uma determinada resposta de um indivíduo até ele ficar condicionado a associar a necessidade à ação. É o caso do rato faminto que, numa experiência, percebe que o acionar de uma alavanca levará ao recebimento de comida. Ele tenderá a repetir o movimento cada vez que quiser saciar sua fome. 


A diferença entre o reflexo condicionado e o condicionamento operante é que o primeiro é uma resposta a um estímulo puramente externo; e o segundo, o hábito gerado por uma ação do indivíduo. No comportamento respondente (de Pavlov), a um estímulo segue-se uma resposta. No comportamento operante (de Skinner), o ambiente é modificado e produz conseqüências que agem de novo sobre ele, alterando a probabilidade de ocorrência futura semelhante. 


O condicionamento operante é um mecanismo de aprendizagem de novo comportamento – um processo que Skinner chamou de modelagem. O instrumento fundamental de modelagem é o reforço – a conseqüência de uma ação quando ela é percebida por aquele que a pratica. Para o behaviorismo em geral, o reforço pode ser positivo (uma recompensa) ou negativo (ação que evita uma conseqüência indesejada). Skinner considerava reforço apenas as contingências de estímulo. "No condicionamento operante, um mecanismo é fortalecido no sentido de tornar uma resposta mais provável, ou melhor, mais freqüente", escreveu o cientista. 




Sem livre-arbítrio
Segundo Skinner, a ciência psicológica – e também o senso comum – costumava, antes do aparecimento do behaviorismo, apelar para explicações baseadas nos estados subjetivos por causa da dificuldade de verificar as relações de condicionamento operante – ou seja, todas as circunstâncias que produzem e mantêm a maioria dos comportamentos dos seres humanos. Isso porque elas formam cadeias muito complexas, que desafiam as tentativas de análise se elas não forem baseadas em métodos rigorosos de isolamento de variáveis.

Nos usos que projetou para suas conclusões científicas – em especial na educação –, 
Skinner pregou a eficiência do reforço positivo, sendo, em princípio, contrário a punições 
e esquemas repressivos. Ele escreveu um romance, Walden II, que projeta uma sociedade
 considerada por ele ideal, em que um amplo planejamento global, incumbido de aplicar os
 princípios do reforço e do condicionamento, garantiria uma ordem harmônica, pacífica e
 igualitária. Num de seus livros mais conhecidos, Além da Liberdade e da Dignidade, ele 
rejeitou noções como a do livre-arbítrio e defendeu que todo comportamento é determinado
 pelo ambiente, embora a relação do indivíduo com o meio seja de interação, e não passiva.
 Para Skinner, a cultura humana deveria rever conceitos como os que ele enuncia no título da 
obra.
Para pensar
Ainda que Skinner considerasse importante levar em conta as diferenças entre 
os alunos de um mesmo professor, o behaviorismo se baseia fundamentalmente na previsibilidade das reações aos estímulos e reforços. Seus objetivos educacionais 
buscam resultados definidos antecipadamente, para que seja possível, diante de uma
 criança ou adolescente, projetar a modelagem de um adulto. Você considera
 importante, como professor, saber de antemão exatamente o que deseja de 
seus alunos? É possível planejar o aprendizado em detalhes?

Máquinas para fazer o aluno estudar
A Educação foi uma das preocupações centrais de Skinner, à qual ele se dedicou 
com seus estudos sobre a aprendizagem e a linguagem. No livro Tecnologia do
 Ensino, de 1968, o cientista desenvolveu o que chamou de máquinas de aprendizagem
 – a organização de material didático de maneira que o aluno pudesse utilizar sozinho,
 recebendo estímulos à medida que avançava no conhecimento. Grande parte dos 
estímulos se baseava na satisfação de dar respostas corretas aos exercícios propostos.
 A idéia nunca chegou a ser aplicada de modo sistemático, mas influenciou
 procedimentos da educação norte-americana. Skinner considerava o sistema escolar 
um fracasso por se basear na presença obrigatória, sob pena de punição.
 Ele defendia que se dessem aos alunos "razões positivas" para estudar. 
"Para Skinner, o ensino deve ser planejado para levar o aluno a emitir comportamentos 
progressivamente próximos do objetivo final, sem que para isso precise cometer erros",
 diz Maria de Lourdes Zanotto. "A idéia é que a máquina de aprendizado se ocupe das 
questões factuais e deixe ao professor a tarefa fundamental de ensinar o aluno a pensar."

Quer saber mais?

Compreender o Behaviorismo, William M. Baum, 312 págs.,
 Ed. Artmed, tel. 0800-703-3444, 58 reais
Formação de Professores – A Contribuição da Análise do
 Comportamento, Maria de Lourdes Bara Zanotto, 183 págs.,
 Ed. Educ/Fapesp/Comped, tel. (11) 3670-8558 
Pavlov/Skinner – Coleção Os Pensadores, 400 págs., 
Ed. Abril Cultural (edição esgotada)
Tecnologia do Ensino, Burrhus Skinner, 272 págs., 
Editora Pedagógica e Universitária Ltda., tel. (11) 3168-6077

fonte: Nova escola

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