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Resenha do livro: POSTMAN, Neil. O Desaparecimento da Infância. Tradução: Suzana Menescal de A. Carvalho e José Laurenio de Melo. Rio d...

Criando filhos em uma redoma ou livres como passaros?


Nossos filhos ao nascer não trazem junto na embalagem manual de instruções.
Mas como saber se estamos acertando como educadores / pais?
Proteger de todo perigo, dar tudo que o dinheiro compra...
Tudo que passa da medida "perde o ponto" desanda como diz a minha Avó.
Qual o ponto certo?
Não devemos radicalizar, e o mais importante, ouça seu filho!
Descubra você!



Ana Cássia MaturanoEspecial para o G1, em São Paulo

A chegada de um filho faz com que uma pessoa venha a conhecer o amor em sua essência, numa alta intensidade. Diante de tal sentimento, por vezes egoísta, o medo de perder esse objeto de amor também é grande.
Não só de perdê-lo por aí ou que morra, também de que se machuque, perca uma parte do corpo ou um dos sentidos, deixe de andar, pensar. Assim, alguns pais se tornam obsessivamente protetores de seus filhos, impedindo-os de fazerem coisas naturais da vida, como se sujar, por exemplo. Veêm perigos em todos os lugares, inclusive no chão de um playground.
Existem pessoas tão exigentes com limpeza, que suas crianças ficam doentes com uma frequência superior às outras – de tanto esterilizarem as coisas, elas não criam defesas básicas e diante de qualquer ameaça natural à sua saúde física, sucumbem. A preocupação aumenta e a limpeza também. A criança, coitada, não pode fazer nada.


Algumas situações realmente representam um perigo iminente. Uma bem comum e que volta e meia vemos por aí, principalmente em lugares grandes, como mercados, é uma criança se desgarrar de seus pais. Em um minuto ela desaparece sem deixar vestígios ou pistas de onde foi. O desespero bate, com certeza. Os pais saem à procura do pequeno, perguntam para um ou para outro se o viram, às vezes com lágrimas nos olhos.
Quando é encontrado, aquilo que poderia ser um alívio para todos (não se sabe pelo que a criança passou até ser encontrada, até porque, elas também se desesperam quando se perdem de seus progenitores), transforma-se numa bronca descomunal ou numa bela sova.
Imagina-se que seria um momento em que pais e filho se abraçariam e até chorariam (dependendo da demora do encontro), para então depois conversarem sobre os perigos – reais – de uma criança se perder de seus pais. Como é o caso de uma pessoa de má-fé levá-la embora. Ou alguém puxá-la para algum canto e fazer-lhe mal.
E também de conversarem sobre a quem recorrer em casos assim – um guarda ou funcionário da loja, por exemplo. Não é isso que se costuma ver e sim gritos, tabefes e caras feias.
Nesses momentos, em que os pais interpretam como uma rebeldia ou arte de seus filhos, na verdade eles estão colocando neles suas próprias angústias. Angústia de perdê-los e de não estarem sendo suficientemente cuidadores. Pois, a não ser que uma criança fuja (e aí teremos que pensar que motivos a levaram a isso), ela provavelmente foi levada pelo sabor de seu prazer de olhar as diversas coisas que existem num mercado.
Afinal, quem tem a responsabilidade do filho estar protegido são os pais. Sabemos, é claro, que há muitos que são danadinhos. Para esses, as orientações como se portar em um lugar grande, com os riscos reais que ele oferece, devem ser redobradas. Bem como de estar atento pelo que o pequeno está fazendo naquele lugar. O que não significa criar medos fantásticos, como a bruxa má vai pegá-lo ou depois terá que tomar uma injeção se sair de perto do papai ou da mamãe.
Já temos bastante coisas para temermos em nossas vidas e que são de verdade, não precisamos inventar outras para nos preocuparmos.
O filho tem que se sentir seguro com seus pais. Ele está aprendendo diversas coisas, inclusive como evitar ou se proteger do perigo. Se cada vez que o filho se colocar em perigo (muitas vezes apenas na imaginação dos pais) houver uma repreensão exacerbada, onde o pai projetará seu sentimento de impotência no filho, é bem provável que haverá uma distância entre eles.
E um forte sentimento de impotência e incapacidade poderá ser desenvolvido pelo filho – ele nunca sabe se cuidar, sentimento este que lhe foi dado pelo pai (que sente não saber ele cuidar de seu filho).
Já aquele que tem mania por limpeza, muito provavelmente deve ocultar nesse comportamento o sentimento de não ser suficiente cuidador dos filhos.

O mundo é cheio de perigos. Mais que criarmos os filhos em uma redoma, as situações que surgem (e muitas vão surgir), devem ser aproveitadas para que pais e filhos aprendam a lidar com elas, para que não tenha uma próxima vez.

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