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Resenha do livro: POSTMAN, Neil. O Desaparecimento da Infância. Tradução: Suzana Menescal de A. Carvalho e José Laurenio de Melo. Rio d...

Aritmúsica ou Música Pitagórica?

Pitágoras: A Música e A Matemática

                                             por Danubia Rocha


Um certo Pitágoras, numa das suas viagens, passou por acaso numa oficina onde se batia numa bigorna com cinco martelos. Espantado pela agradável harmonia (concordiam) que eles produziam, o nosso filósofo aproximou-se e, pensando inicialmente que a qualidade do som e da harmonia (modulationis) estava nas diferentes mãos, trocou os martelos. Assim feito, cada martelo conservava o som que lhe era próprio. Após ter retirado um que era dissonante, pesou os outros e, coisa admirável, pela graça de Deus, o primeiro pesava doze, o segundo nove, o terceiro oito, o quarto seis de não sei que unidade de peso.” Assim descreve Guido d’Arezzo (992 -1050?), no seu pequeno mas influente tratado de música Micrologus, a lenda que atribui a Pitágoras (séc. VI AC) a descoberta fundamental da dependência dos intervalos musicais dos quocientes dos primeiros números inteiros, i.e., parafraseando o romano Boécio (séc. VI), “a grande, espantosa e muito sutil relação (concordiam) que existe entre a música e as proporções dos números (numerum proportione)”




A música na Grécia Antiga:

Na Grécia Antiga se tinha uma concepção muito diferente  da nossa sobre música. O conceito de música para os Gregos não se limitava apenas à sua dimensão sonora.É muito mais amplo e complexo e englobava a dança, poesia, filosofia e a matafísica (ramo da filosofia que estuda a essência do mundo).





O conceito de mousiké:
Etimologicamente a palavra mousiké significa musa.Filhas de Júpiter e Mnemosine, as musas eram as Deusas da poesia e da educação, que na época abrangiam não somente o conhecimento literário mas também as outras expressões artísticas como a dança, o canto, e os instrumentos musicais.As musas doavam inspiração poética e conhecimentos aos homens. No secVI a.c surge o conceito de uma música que não se houve, mas é pensada antes como fenômeno sonoro representado por símbolos e razões matemáticas.O conceito de música amplia se aproximando do conceito de logos e harmonia, como forma de organização do pensamento
A palavra harmonia para os gregos, foi usada de maneira diferente de seu sentido atual, pois não se referia apenas a harmonia musical e também harmonia matemática e filosófica.


O mito e o logus:
A mitologia foi uma das principais heranças da civilização Grega.Os mitos influenciaram a arte a história e o pensamento Grego. O mito era uma narrativa oral ligada a um conceito ritualístico.
O surgimento da escrita distanciou o mito do momento sagrado da narrativa.E assim nasce o logos discurso racional, lógico e objetivo sobre o mundo que se expressa sobretudo pela escrita.
Em relação à música, a articulação entre o mitos e o logos, teve amplas repercussões na cultura Grega.Eles se aproximam; o canto afinado remete a palavra à uma outra dimensão onde a forma de expressão é tão importante quanto o conteúdo.A presença da música em recitais de poesia e nos antigos épicos, envolvia a palavra em um poder sagrado quase mítico.
Acreditava se nesta época, que a música poderia influenciar no caracter de uma pessoa, dependendo da melodia tocada.

O primeiro experimemto científico da história:
Por volta do sec VI a.c com os pitagóricos, ao descobrirem as proporções numéricas contidas nas harmonias musicais, a música passou a ser explicada por meio da matemática e da lógica, tornando se objeto de especulação teórica.Com a criação do alfabeto tornou se possível representar não só os sons da língua mas também dos números e da música. Desta forma a música passou a ocupar lugar central na educação Grega.
A música tinha o objetivo de educar o senso estético dos discípulos da sociedade pitagórica.A contemplação dos sons individuais assim como as das melodias e sua composições, acontecia da mesma forma que  se apreciava a geometria e suas figuras.
Foi assim que Pitágoras relacionou a música com a matemática.
Conforme a lenda, Pitágoras foi guiado pelos deuses na descoberta das razões matemáticas por trás dos sons, depois de observar o comprimento dos martelos dos ferreiros. A ele é creditado a descoberta do intervalo de uma oitava como sendo referente a uma relação de frequência de 2:1, uma quinta em 3:2, uma quarta em 4:3, e um tom em 9:8. Os seguidores de Pitágoras aplicaram estas razões ao comprimento de fios de corda em um instrumento chamado cânon, ou monocorda, e, portanto, foram capazes de determinar matematicamente a entonação de todo um sistema musical. Os pitagóricos viam estas razões governando todo o Cosmos assim como o som, e Platão descreve em sua obra, Timeu, "a alma do mundo" como estando estruturada de acordo com estas mesmas razões. Para os pitagóricos, assim como para platão, a música se tornou uma natural extensão da matemática, bem como uma arte.
MONOCÓRDIO


O maior impacto gerado por esta descoberta foi de que a harmonia sensível, percebida nas consonâncias musicais, estava relacionada à harmonia inteligível, representada pelos números.Essa correspondência entre
fenômenos físicos e os números foi a base da filosofia pitagórica.Esta idéia inspirou para o modelo platônico de música das esferas.Seu pensamento profético vislumbrou nos intervalos musicais as leis que regem o Universo. Se os números apenas bastam para explicar a consonância não poderia também o todo ser exprimível como número ou proporção?


 Através deste estudo podemos observar que a música pode ser o cominho para uma pedagogia mais humanizada, tão difundida e pouco aplicada em nosso dia a dia.

Danubia Rocha 

Biobliografia:
livro: Coleção: Ensaios Transversais
Musicalizando a escola: música, conhecimento e educação
editora: Escrituras
autor: Carlos Eduardo de Souza Campos Granja ( integrante do grupo Barbatuques )

9 horas de músicas relaxantes

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