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Resenha do livro: POSTMAN, Neil. O Desaparecimento da Infância.

Resenha do livro: POSTMAN, Neil. O Desaparecimento da Infância. Tradução: Suzana Menescal de A. Carvalho e José Laurenio de Melo. Rio d...

Eurípedes Barsanulfo: A Pedagogia do amor fraternal



A família, os estudos e o trabalho:

Eurípedes Barsanulfo (Sacramento1 de maio de 1880 — Sacramento, 1 de novembro de 1918) foi um educadorpolíticojornalista, e médium brasileiro, um dos expoentes do espiritismo no país. Notório principalmente por sua atividade na educação brasileira e no tratamento espiritual, fundou o primeiro colégio espírita do país, o Colégio Allan Kardec, que disponibilizou educação gratuita para milhares de pobres e órfãos.



 Logo cedo manifestou- se nele profunda inteligência e senso de responsabilidade, na sua infância, Eurípedes já dava sinais de bondade e preocupação com as pessoas necessitadas. 
Quando chegou a frequentar o primeiro colégio, o Colégio Miranda, já era alfabetizado nas "primeiras letras" no curso intensivo que fez na escola primária do senhor Joaquim Vaz de Melo Júnior. Por isso, no Colégio Miranda fora logo encaminhado à classe adiantada e, em pouco tempo, se dedicava às funções de assistente dos professores. Na fase da sua adolescência, por volta de 1892, Eurípedes cria o GRÊMIO DRAMÁTICO SACRAMENTANO, junto com outros amigos, onde faz dali um novo veículo sócio-cultural da cidade, com apresentações de peças teatrais e outras atividades artísticas. Participou ativamente da fundação do JORNAL "GAZETA DE SACRAMENTO", em que publicava artigos sobre economia, literatura, filosofia, etc, estreando, assim, como jornalista, tendo colaborado intensamente em outros jornais com artigos que se destacavam pela sua qualidade, pois dominava com maestria a língua portuguesa. 
 Um dos fatores que afligia muito a Eurípedes era a doença de sua mãezinha, que com freqüência apresentava crises nervosas. Por este motivo, desde cedo, Eurípedes se interessava pela leitura de livros de medicina, livros de homeopatia, com os quais julgava, futuramente, encontrar a cura para a doença de sua mãe. Isso o leva a criar, em 1897, então com 17 anos, a FARMÁCIA HOMEOPÁTICA, com que atendia aos necessitados da periferia da cidade que buscassem sua ajuda e orientação. Sempre dentro da filosofia de auxiliar os mais necessitados, e, principalmente, sua mãe, Eurípedes alimenta o sonho de estudar medicina e, para isso, teria que mudar-se para a cidade do Rio de Janeiro. Sonho esse desfeito no dia em que se preparava para viajar e sua mãezinha apresenta então uma forte crise. Compreendendo, com este fato, que seu afastamento seria prejudicial à saúde dela, desiste definitivamente de se tornar médico. Com isso, então, volta-se para a grande função de educador e professor. Funda então, na cidade de Sacramento, contando então com vinte e dois anos de idade, junto com seus antigos professores, Dr. João Gomes Vieira de Melo, Inácio Martins de Melo e outros, o LICEU SACRAMENTANO, em 1902, instituição de ensino primário para crianças, de orientação católica, e que rapidamente se destaca pelo método de ensino. Devemos destacar também a vida política de Eurípedes, de 1907 a 1912, quando exerceu o CARGO DE VEREADOR por dois mandatos, e trouxe para Sacramento vários benefícios sociais, como água encanada, bonde, luz, um cemitério público e maiores recursos para a educação. 

Eurípedes também fora criado dentro do catolicismo, e participava ativamente das atividades da Igreja. Funda, por volta de 1900, a Irmandade São Vicente de Paula, onde atua como secretário e em atividades de assistência social. Em 1903, Eurípedes toma contato com a Bíblia, livro este que a Igreja Católica proibia a sua leitura pelos leigos e o recebe das mãos de Padre Augusto Teodoro Maia. Ao ler o livro, Eurípedes levanta suas primeiras dúvidas com a leitura do Sermão da Montanha e, procurando compreender as consolações prometidas pelo Cristo, busca respostas com o Padre Maia, que não conseguiu satisfazê-lo. Principalmente quando na seguinte passagem bíblica: “Bem Aventurados os mansos, porque herdarão a Terra” (Jesus - São Mateus, capítulo V, versículo 5) Como os mansos vão herdar a Terra? Por acaso, todos os homens pacíficos e mansos que já haviam morrido no passado voltarão a viver na Terra? Estes eram os questionamentos de Eurípedes Barsanulfo, mente brilhante, raciocínio aguçado, que não se contentava com explicações incompletas. Sempre buscava as razões profundas e os porquês dos problemas humanos. Com a mente e o coração abertos e sempre disposto a compreender e amar, Eurípedes Barsanulfo foi introduzido no conhecimento do Espiritismo pelo Sr. Mariano da Cunha, o "Tio Sinhô", com quem Eurípedes freqüentemente discutia os diferentes pontos de vista religiosos. Até então, Eurípedes era católico e "Tio Sinhô", espírita. E não podendo responder às inteligentes indagações de Eurípedes, pois Tio Sinhô era um homem rude do campo, este lhe apresenta um exemplar do livro "Depois da Morte", do escritor francês Léon Denis, que Eurípedes devora a leitura em uma noite e confessava-se empolgado com a lógica convincente do autor. Desde então, Eurípedes passa também a se interessar pelo estudo da nova doutrina e a participar das sessões mediúnicas na Fazenda de Santa Maria, há 14 quilômetros de Sacramento, quando, então, em uma destas, assistindo uma palestra de um homem simples e semi-analfabeto, Eurípedes roga mentalmente o esclarecimento para suas dúvidas acerca das bem aventuranças, e que estas pudessem ser esclarecidas pelo Apóstolo João, o Evangelista. Assim, então, esta resposta acontece imediatamente através do expositor - médium, numa linguagem sublime, onde finalmente Eurípedes compreendeu o mais perfeito código de consolações da história da humanidade. Os fatos e a lógica convencem Eurípedes Barsanulfo e, a partir de então, desliga-se definitivamente do catolicismo e torna-se Espírita. 
A grande vocação de Eurípedes para a educação o incentivou a pensar em um modelo de pedagogia inovador no Brasil, pois sabia que, através da educação, poderia incutir os valores morais que julgava ser de extrema valia na consciência e nos corações das crianças. Assim, em 02 de abril de 1907, Barsanulfo inaugurou o Colégio Allan Kardec, primeiro colégio espírita do mundo, uma escola revolucionária, que foi administrada por ele até a morte. Nele, educou um grande número de pobres e órfãos, mas, principalmente, implantou uma nova metodologia educacional, oferecendo instrução intelectual e moral. Todas as quartas-feiras, ministrava aulas a respeito da doutrina espírita, incompreendida e desdenhada por muitos pais de alunos. Com a criação do Colégio Allan Kardec, ele inseriu um novo modelo de educação, a pedagogia espírita, que nada tinha a ver com o sistema tradicional da época. Ele implantou uma metodologia sem notas, castigos ou recompensas, era uma educação ativa, com estabelecimento de relações afetivas saudáveis, com a participação dos alunos, com originalidade, liberdade e amor, algo totalmente diferenciado. Eurípedes era uma pessoa muito séria, bondosa, amorosa, serena, uma criatura bastante equilibrada. Ele nem sequer alterava a voz. A pedagogia implantada por Eurípedes Barsanulfo não significou uma prática de doutrinação ou catequese religiosa, mas uma visão diferente da educação, baseada em três princípios: a pedagogia do amor, da liberdade e da ação. A proposta inovadora de Eurípedes foi ter aberto uma escola completamente oposta aos padrões da época, abolindo as agressões físicas e morais, fortalecendo a relação de amizade entre professores e alunos e desenvolvendo um processo de educação ativa. Também, ao contrário das escolas extremamente elitistas, o Colégio Allan Kardec era gratuito, formado por classes mistas (meninos e meninas), tudo muito original para aquele tempo. Eurípedes utilizava no Colégio Allan Kardec o estudo da astronomia, da arte, em especial o teatro, e o trabalho de assistência social com o envolvimento dos alunos. Utilizava o recurso do diálogo aberto, estimulando o raciocino lógico, de forma que o aluno chegasse às conclusões sobre os temas científicos, filosóficos e religiosos de forma espontânea e natural.
Morreu aos 38 anos, vítima da gripe espanhola. Mesmo acometido da moléstia, arrasadora para boa parte da população brasileira, Eurípedes não parou de atender aos que necessitavam.

fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Eur%C3%ADpedes_Barsanulfo

Lauro de Oliveira Lima: Educador brasileiro seguidor de Piaget





"Fiz uma opção de vida: só permanecer na planície
se minhas asas não tiverem forças
para arrancar-me do chão;
mesmo com as asas curtas tentarei voar.
Não admito que não tenho asas".
Lauro de Oliveira Lima
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Lauro de Oliveira Lima: 

Educador e seguidor de Piaget


Lauro de Oliveira Lima e sua obra se confundem na história do pensamento pedagógico brasileiro e mostra a importância da educação para o Brasil. Nascido em Limoeiro do Norte, Ceará, no ano de 1921, formou-se em direito e filosofia e foi diretor do ensino secundário do Ministério da Educação e Cultura (MEC). Trabalhou no Ministério no início da implantação dos planos nacionais de alfabetização, foi cassado pelo governo militar, e pioneiro de um método pedagógico baseado na teoria de Piaget.

Ele escolheu como base a teoria piagetiana, mas também andou por vários pensamentos de maneira sempre crítica. Como seminarista e estudante de filosofia teve acesso a vários pensadores, sendo os que mais o influenciaram foram Lewin, Chardin, Mounier, Freud, Chomsky,Kant, Hegel, Marx, Foucault e, principalmente, Jean Piaget – cuja teoria educacional prega que a educação deve fugir do lugar comum dos críticos tradicionais.
Lauro faz o papel do crítico da educação brasileira e com sua extensa e intensa obra planeja e oferece propostas decisivas para a mudança da dinâmica das pessoas – principalmente professores e estudantes - que integram o cenário educacional. Ele criticou principalmente a categoria Educação por não possuir um órgão de controle de qualidade profissional, como acontece com os Conselhos de Medicina, Psicologia, a Ordem dos Advogados etc. Para ele o professor é um acomodado, que precisa ler e se atualizar sempre.  “O professor que não lê revistas de sua especialidade é um embusteiro”, comenta Lauro.

 Criou o Método Psicogenético que privilegia a dinâmica de grupo como a didática básica e cujo princípio fundamental é: "O professor não ensina; ajuda ao aluno a aprender". O método diz que o professor deveria deixar de lado sua postura de "professor-informador" para assumir a postura de "professor-orientador", assim como um "técnico de futebol", que organiza o time em campo. E considera que a discussão entre todos é a didática fundamental: “A ideia de ensino será substituída por uma autoaprendizagem, cabendo ao professor criar situações (animador), em que os jovens se disponham a utilizar a informação de que está prenhe o ambiente”, definiu o professor.

A reforma educacional pregada por ele seria sinônimo de liberdade, experimentação, privilegiar a cultura geral, prática como ensino, administração não pré-estabelecida e ensino primário vinculado ao normal. O corpo docente deverá estar atento às mudanças: “Qualquer lei que pretenda estabelecer 'a priori' objetivos sociológicos e regras inflexíveis de formação profissional, logo ficará anacrônica diante dos progressos tecnológicos e das variações do ritmo do desenvolvimento, progressivamente mais aceleradas no mundo moderno”.

Ele indicou “as Unidades de Treinamento” que seriam ministradas por todo o corpo docente da escola e teriam a duração de três meses, de um ano letivo com duração de duzentos dias. Ou seja, cinquenta dias letivos para cada Unidade de Treinamento, o que seria equivalente a quarenta horas/aula em cinco aulas semanais. Assim sendo, cada trimestre terá uma Unidade de Treinamento e quatro Unidades Didáticas, cabendo à primeira quarenta horas/aula e à segunda trinta e duas horas/aula. Essa sua proposta de estruturação de um curso normal foi transformada na Lei 4.410, de 26 de dezembro de 1958, regulamentando o Ensino Normal no Estado do Ceará.

 Incluiu também na educação dos adultos, todos os meio de comunicação. O domínio da leitura e da escrita é uma libertação. Alfabetizar adultos é prepará-los para o mercado de trabalho. “Uma das preocupações do adulto analfabeto em se alfabetizar é o interesse pessoal em auxiliar seus próprios filhos a ler e a escrever; e o outro motivo é a conscientização ou produtividade de seu serviço”, concluiu o professor com relação à intenção de se acabar com analfabetismo.

Para o professor a mulher se vangloriava de uma intuição que não poderia ser considerada exclusividade sua e achava que a libertação da mulher moderna estava no uso do coletivo, saindo da opressão que é o lugar da família – a casa. “O lar moderno é um pequeno mundo vazio onde a cozinha não tem sentido e de onde as crianças fogem para encontrar-se com seus companheiros de idade, recurso espontâneo para evitar a esquizofrenia do apartamento”, sentenciava Lauro.

Para o professor Lauro, o fenômeno sociológico, entendido como a combinação de indivíduos para formarem estruturas sociais, nada mais é do que um fenômeno de combinação de novas formas de relações individuais. E como a socialização do desenvolvimento intelectual dos indivíduos que a compõem, o nível intelectual dos indivíduos também depende da socialização. 

“Em outras palavras, a evolução é simplesmente o resultado do trabalho da inteligência na organização do desorganizado, o que equivale dizer que a evolução é o esforço da neguentropia (organização) para vencer a entropia (desorganização), definia o professor.

Não é possível observar o ser humano fora das relações de interação. E, para o professor essas relações são nada mais, nada menos do que uma dinâmica de grupo. "Há, pois, uma razão epistemológica para considerar a psicologia individual uma microssociologia (Psicologia social)", definia. “Pode-se aprender dinâmica de grupo no que ele tem de tecnologia, sabendo-se que esta tecnologia tem por objetivo garantir a liberdade de opinar e influir no destino do grupo. Aprender, pois dinâmica de grupo é conquistar um mecanismo de evolução psicossociológica, como alguém, que se exercita em ginástica, adquire maiores possibilidades de ter uma boa atuação no jogo”, assim concluía o professor sobre a inserção dos indivíduos no processo de interação social.
Lauro sempre esteve nas escolas e cada vez que havia algum incômodo falava com os professores sobre modificar os métodos para o aluno interagir sempre. Presente a um evento em uma escola em Belo Horizonte e vendo crianças brincarem no escorrega sugeriu a professora que invertesse a ordem e fizessem as crianças subirem pelo lado que se escorregava e descessem na escada – a criança se superando -, que faria com que a criança, já habituada a um nível de equilíbrio desenvolvesse outro  nível – equilíbrio majorante: “Eis a aula toda pelo avesso e os alunos aprendendo a pensar e não a ouvir e decorar discursos...”, ria ele, vendo suas observações funcionarem.
Sua obra reflete um avanço nas descobertas pedagógicas. Apesar de haver algo de futurístico nelas - às vezes não se aplica na prática - são descobertas extremamente pertinentes à realidade, principalmente à brasileira. Seu afastamento do cenário pedagógico nacional foi ocasionado pelo golpe militar de primeiro de abril de 1964 e numa entrevista a um jornal de Goiânia, disse sem qualquer autopiedade: “Eu me sinto como um puro-sangue árabe, trancado na cocheira, vendo os ‘pangarés’ correndo no ‘derby’”.
Referencia: http://www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/educacao/0069_04.html

José Pacheco e a Escola da Ponte



José Pacheco e a Escola da Ponte

Em entrevista à revista Nova Escola o educador português conta como é a Escola da Ponte, em que não há turmas, e diz que quem quer inovar deve ter mais interrogações que certezas


José Pacheco não é o primeiro - e nem será o último - a desejar uma escola que fuja do modelo tradicional. Ao contrário de muitos, no entanto, o educador português pode se orgulhar por ter transformado seu sonho em realidade. Há 28 anos ele coordena a Escola da Ponte. Apesar de fazer parte da rede pública portuguesa, a escola de ensino básico, localizada a 30 quilômetros da cidade do Porto, em nada se parece com as demais.

A Ponte não segue um sistema baseado em seriação ou ciclos e seus professores não são responsáveis por uma disciplina ou por uma turma específicas. As crianças e os adolescentes que lá estudam - muitos deles violentos, transferidos de outras instituições - definem quais são suas áreas de interesse e desenvolvem projetos de pesquisa, tanto em grupo como individuais. 

A cada ano, as crianças e os jovens criam as regras de convivência que serão seguidas inclusive por educadores e familiares. É fácil prever que problemas de adaptação acontecem. Há professores que vão embora e alunos que estranham tanta liberdade. Nada, no entanto, que faça a equipe desanimar. 

O sistema tem se mostrado viável por pelo menos dois motivos: primeiro, porque os educadores estão abertos a mudanças; segundo, porque as famílias dos alunos apóiam e defendem a escola idealizada por Pacheco. 



A Escola da Ponte é bem diferente das tradicionais. Como ela funciona? 
JOSÉ PACHECO Lá não há séries, ciclos, turmas, anos, manuais, testes e aulas. Os alunos se agrupam de acordo com os interesses comuns para desenvolver projetos de pesquisa. Há também os estudos individuais, depois compartilhados com os colegas. Os estudantes podem recorrer a qualquer professor para solicitar suas respostas. Se eles não conseguem responder, os encaminham a um especialista. 

Existem salas de aula? 
PACHECO Não há salas de aula, e sim lugares onde cada aluno procura pessoas, ferramentas e soluções, testa seus conhecimentos e convive com os outros. São os espaços educativos. Hoje, eles estão designados por área. Na humanística, por exemplo, estuda-se História e Geografia; no pavilhão das ciências fica o material sobre Matemática; e o central abriga a Educação Artística e a Tecnológica. 

A arquitetura mudou para acompanhar o sistema de ensino? 
PACHECO Não. Aliás, isso é um problema. Nosso sonho é um prédio com outro conceito de espaço. Temos uma maquete feita por 12 arquitetos, ex-alunos que conhecem bem a proposta da escola. Esse projeto inclui uma área que chamo de centro da descoberta, onde compartilharemos o que sabemos. Há também pequenos nichos hexagonais, destinados aos pequenos grupos e às tarefas individuais. Estão previstas ainda amplas avenidas e alguns cursos d'água, onde se possa mergulhar os pés para conversar, além de um lugar para cochilar. As novas tecnologias da informação devem estar espalhadas por todos os lados para ser democraticamente utilizadas pela comunidade, o que já conseguimos. 

Os professores precisam de formação específica para lecionar lá? 
PACHECO Não. Eles têm a mesma formação que os de outras instituições. O diferencial é que sentem uma inquietação quanto à educação e admitem existir outras lógicas. Nossa escola é a única no país que pode escolher o corpo docente. Os candidatos aparecem geralmente como visitantes e perguntam o que é preciso para dar aulas lá. Digo apenas para deixarem o nome. No fim de cada ano fazemos contato. Hoje somos 27, cada um com suas especializações. 

Como os novos professores se adaptam à proposta da escola? 
PACHECO Há profissionais que estiveram sozinhos em sala durante anos e quando chegam constatam que sua formação e experiência servem para nada. De cada dez que entram, um não agüenta. Outros desertam e regressam depois. Mas nós também, por vezes, temos que nos adaptar. Há dois anos recebemos muitas crianças e professores novos, não familiarizados com a nossa proposta. Apenas a quinta parte do corpo docente já estava lá quando isso aconteceu. Passamos a conviver com mestres que sabiam dar aula e estudantes que sabiam fazer cópias. Foi necessário dar dois ou três passos para trás para que depois caminhássemos todos juntos. Precisamos aceitar o que os outros trazem e esperar que eles acreditem em nossas idéias. Essa é a terceira vez que passamos por isso. 

Qual o perfil dos alunos atendidos pela Escola da Ponte? 
PACHECO Eles têm entre 5 e 17 anos. Cerca de 50 (um quarto do total) chegaram extremamente violentos, com diagnósticos psiquiátricos e psicológicos. As instituições de inserção social que acolhem crianças e jovens órfãos os encaminham para as escolas públicas. Normalmente eles acabam isolados no fundo da classe e, posteriormente, são encaminhados para nós. No primeiro dia, chegam dando pontapés, gritando, insultando, atirando pedras. Algum tempo depois desistem de ser maus, como dizem, e admitem uma das duas hipóteses: ser bom ou ser bom. 

Como os estudantes vindos de outras escolas se integram a um sistema tão diferente? 
PACHECO Não é fácil. Há crianças e jovens que chegam e não sabem o que é trabalhar em grupo. Não conhecem a liberdade, e sim, a permissividade. Não sabem o que é solidariedade, somente a competitividade. São ótimos, mas ainda não têm a cultura que cultivamos. Quando deparam com a possibilidade de definir as regras de convivência que serão seguidas por todos ou não decidem nada ou o fazem de forma pouco ponderada. Em tempos de crise, como agora, em que muitos estão nessa situação, precisamos ser mais diretivos. Só para citar um exemplo, recebemos um garoto de 15 anos que tinha agredido seu professor e o deixado em estado de coma. Como um jovem assim pode, de imediato, participar da elaboração de um sistema de direitos e deveres? 

A escola nem sempre seguiu uma proposta inovadora. Como ocorreu a transformação? 
PACHECO Até 1976, a escola era igual a qualquer outra de 1ª a 4ª série. Cada professor ficava em sua sala, isolado com sua turma e seus métodos. Não havia comunicação ou projeto comum. O trabalho escolar era baseado na repetição de lições, na passividade. Naquele ano, havia três educadores e 90 estudantes. Em vez de cada docente adotar uma turma de 30, juntamos todos. Nosso objetivo era promover a autonomia e a solidariedade. Antes disso, porém, chamamos os pais, explicamos o nosso projeto e perguntamos o que pensavam sobre o assunto. Eles nos apoiaram e defendem o modelo até hoje. 

Qual é a relação dos pais com a escola? 
PACHECO Eles participam conosco de todas as decisões. Se nos rejeitarem, teremos de procurar emprego em outro lugar. Também defendem a escola perante o governo. Neste momento, os pais estão em conflito com o Ministério da Educação. Ao longo desses quase 30 anos, quiseram acabar com nosso projeto. Eu, como funcionário público, sigo um regime disciplinar que me impede de tomar posições que transgridam a lei, mas o ministro não tem poder hierárquico sobre as famílias. Portanto, se o governo discordar de tudo aquilo que fazemos, defronta-se com este obstáculo: os pais. Eles são a garantia de que o projeto vai continuar. 

Como sua escola é vista em Portugal? 
PACHECO Há uma grande resistência em aceitar o nosso modelo, que é baseado em três grandes valores: a liberdade, a responsabilidade e a solidariedade. Algumas pessoas consideram que todos precisam ser iguais e que ninguém tem direito a pensamento e ação divergentes. Há quem rejeite a proposta por preconceito, mas isso nós compreedemos porque também temos os nossos. A diferença é que nós nunca colocamos em cheque o trabalho dos outros. Consideramos que quem nos ataca faz isso porque não foi nosso aluno e não aprendeu a respeitar o ponto de vista alheio. 

Qual é o segredo de sucesso da proposta seguida pela Ponte? 
PACHECO Nós acreditamos que um projeto como o nosso só é viável quando todos reconhecem os objetivos comuns e se conhecem. Isso não significa apenas saber o nome, e sim ter intimidade, como em uma família. É nesse ponto que o projeto se distingue. O viver em uma escola é um sentimento de cumplicidade, de amor fraterno. Todos que nos visitam dizem que ficam impressionados com o olhar das pessoas que ali estão, com o afeto e a palavra terna que trocam entre si. Não sei se estou falando de educação ou da minha escola, mas é isso o que acontece lá. 

O modelo da Escola da Ponte pode ser seguido por outras escolas? 
PACHECO Não defendo modelos. A Escola da Ponte fez o que as outras devem e podem fazer, que é produzir sínteses e não se engajar em um único padrão. Não inventamos nada. Estamos em um ponto de redundância teórica. Há muitas correntes e quem quer fazer diferente tem de ter mais interrogações do que certezas. Considero que na educação tudo já está inventado. A Escola da Ponte não é duplicável e não há, felizmente, clonagem de projetos educacionais. 

Hoje a escola pode funcionar sem o senhor? 
PACHECO Fui e continuo sendo um intermediário. Não tenho mérito por isso, apenas cumpro a minha missão. Vou me afastar dentro de um ano e estou amargamente antecipando essa despedida. Todo pai tem de deixar o filho andar por si próprio e, nesse momento, a Ponte caminha sozinha. Depois quero continuar desassossegando os espíritos em lugares onde há gente generosa, que só precisa de um louco com a noção da prática, como eu. Agora ninguém pode dizer que uma experiência como a da Escola da Ponte não aconteceu, porque ela existe e provamos que é possível.

Retirado de: 
http://revistaescola.abril.com.br/formacao/jose-pacheco-escola-ponte-479055.shtml

Você sabe o que são os neuromitos?


Você sabe o que são os neuromitos?

Algumas ideias oriundas de dados neurocientíficos, porém, não passam de especulações, que acabam sendo derrubadas posteriormente. São os chamados neuromitos. Conheça cinco deles, saiba como surgiram e por que não se mostraram consistentes:

Mito 1 Há períodos críticos para cada aprendizagem. Se a pessoa não aprender durante esse período, ela não desenvolverá mais esse conhecimento

Embasamento: O conceito de períodos críticos provém de experimentos comportamentais feitos com animais. Um deles foi realizado nos anos 1960 por Torsten Wiesel e David Hubel, da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Eles cobriram um dos olhos de um gato e tiraram a venda apenas três meses depois, para investigar que efeito isso teria no cérebro do animal. A área neuronal responsável pela visão foi severamente danificada e o gato ficou cego do olho que havia sido tampado. A partir de constatações como essa se concebeu a ideia de que existiriam janelas de aprendizado, ou seja, passado o período crítico para desenvolver certo conhecimento, não seria possível mais recuperá-lo.

Como foi derrubado: Pesquisas posteriores já reconhecem que essas janelas não são tão fortemente delineadas e são influenciadas por outros fatores, como o tipo de estímulo. O termo usado passou a ser "período sensível" ao estágio de desenvolvimento. Além disso, embora possam existir fases sensíveis para determinados aprendizados, a capacidade de formar sinapses, ou seja, de o cérebro fazer novas ligações entre os neurônios, se mantém durante toda a vida do sujeito. É o conceito conhecido como plasticidade cerebral. Isso indicaria que as pessoas podem aprender em qualquer momento da vida. "O aprendizado de uma segunda língua, por exemplo, é feito com perfeição nos primeiros anos de vida, enquanto uma aprendizagem posterior geralmente não pode evitar a presença de um sotaque evidente. Contudo, mesmo isso pode, em certos casos, ser corrigido, mas acarreta um grande esforço adicional", dizem os médicos e doutores em Ciência do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Ramon M. Cosenza e Leonor B. Guerra no livro Neurociência e Educação: Como o Cérebro Aprende (151 págs., Ed. Artmed, tel.: 0800 703 3444, 44 reais).

Mito 2 É preciso estimular a criança ao máximo até os 3 anos de idade, que é quando o cérebro humano está no auge da quantidade de conexões sinápticas e de neurônios

Embasamento: De fato, diversas investigações científicas comprovam que, nos primeiros dez meses de vida, o bebê tem um aumento imenso da quantidade de proliferação sináptica, que supera a de um adulto. Depois, aquelas estruturas neurais que não são usadas ou são pouco eficientes vão sendo eliminadas. Com isso passou-se a acreditar que era necessário aproveitar esse período da vida da criança para inundá-la de informação e estimulá-la ao máximo, assim ela iria atingir um grau maior de desenvolvimento cognitivo.

Como foi derrubado: Não há nenhuma comprovação científica que ateste a eficácia de submeter uma criança pequena a uma quantidade muito elevada de estímulos e a informações complexas demais para a faixa-etária dela. Além disso, a queda da quantidade de sinapses já é vista pelos neurocientistas como uma forma natural de eliminar gastos desnecessários de energia do corpo e de lapidar as funções cerebrais. No artigo Pedagogy meets neuroscience (Pedagogia encontra neurociência, em português), publicado na revista Science em 2005, a psicóloga Elsbeth Stern afirma que as crianças que são incentivadas a memorizar fatos isolados no início da vida não apresentam melhor retenção a longo prazo do que seus pares, que não foram submetidos a uma bateria de estímulos do tipo.

Mito 3 Usamos somente 10% da capacidade de nosso cérebro

Embasamento: Não se sabe exatamente quando e porque esse mito surgiu. Uma das hipóteses é que tenha sido uma má-interpretação de parte do texto The Energies of Men (As energias do homem, em português), de William James (1842-1910) - considerado um dos fundadores da psicologia nos Estados Unidos -, em que ele dizia que a maioria das pessoas põe em prática apenas uma pequena parte de seu potencial intelectual.

Como foi derrubado: Diversas técnicas empregadas pela neurociência de medição da atividade cerebral (tomografia, ressonância magnética etc) mostram que não existem áreas inativas no cérebro. O neurologista Barry L. Beyerstein afirma no artigo Do we really use only 10% of our brains? (Nós usamos realmente só 10% de nosso cérebro?, em português), na revista Scientific American, em 2004, que ninguém jamais encontrou uma porção do cérebro que nunca tivesse sido usada.

Mito 4 Pessoas que utilizam o lado esquerdo do cérebro têm facilidade para comunicação oral e são mais lógicos. Já aquelas que usam o lado direito são mais criativas e artísticas

Embasamento: Dentre as diversas investigações envolvendo esse conceito, uma pesquisa conduzida pelo neurocientista Roger Sperry, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, o psicólogo Michael S. Gazzaniga, da Universidade da Califórnia em Santa Barbara, desde a década de 1960, que analisou pacientes submetidos a cirurgia para separar os dois hemisférios cerebrais na tentativa de interromper um tipo de epilepsia, mostrou que realmente os dois lados do cérebro são bastante diferentes. Em grande parte das pessoas, o esquerdo cuida dos aspectos da linguagem, enquanto o direito especializa-se em uma parte significativa das habilidades visuais e espaciais.

Como foi derrubado: Estudos neurocientíficos sugerem que os dois hemisférios funcionam de forma coordenada e mesmo as diferenças existentes são relativas. O livro Compreendendo o Cérebro, da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômicos (OCDE), afirma: "dados recentes mostram que, quando o processo de leitura é analisado em seus componentes menores, subsistemas são ativados em ambos os hemisférios cerebrais".

Mito 5 O "efeito Mozart" - Crianças que ouvem músicas de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) se tornam mais inteligentes.

Embasamento: Em 1993, Gordon Shaw e Frances Rauscher, pesquisadores da Universidade da Califórnia, fizeram um experimento com estudantes universitários em que um grupo escutava a Sonata para Dois Pianos em Ré Maior, de Mozart, e o outro não. Depois, os participantes dos dois grupos tinham de responder a um teste de inteligência. Os resultados dessa pesquisa demonstrou que aqueles que haviam ouvido à musica apresentaram resultados melhores no teste.
Como foi derrubado: Nenhum outro cientista foi capaz de reproduzir os resultados alcançados por Shaw e Rauscher. Claudia Lopes da Silva, doutora em Educação pela Universidade de São Paulo (USP) com a tese Concepção histórico-cultural do cérebro na obra de Vigotski, diz que: "Embora outros pesquisadores não tenham conseguido repetir estes resultados (o que torna as conclusões do estudo não fundamentadas), isso não impediu que a pesquisa ganhasse grande popularidade, chegando ao ponto em que os governos dos estados norte-americanos do Tennessee e da Geórgia viessem a distribuir um CD de Mozart para cada recém-nascido.
Publicado por Fernanda Salla na revista Nova Escola

Documentário: Conversas Sobre Melanie Klein - PARTE 1





Melanie Klein foi uma psicanalista austríaca. Em geral é classificada como uma "psicoterapeuta pós-freudiana".
  1. Nascimento: 30 de março de 1882, Viena, Áustria
  2. Falecimento: 22 de setembro de 1960, Londres, Reino Unido
  3. Cônjuge: Arthur Stevan Klein (desde 1903)
  4. Obras: The Selected Melanie Klein, mais
  5. Filiação: Libussa Reizes, Moriz Reizes
  6. Filhos: Melitta Schmideberg, Hans Klein, Erich Klein
São três os pilares fundamentais da teoria Kleiniana:
Primeiramente existe um mundo interno, formado a partir das percepções do mundo externo, colorido com as ansiedades do mundo interno. Com isso os objetos, pessoas e situações adquirem um colorido todo especial. O seio materno, primeiro objeto de relação da criança com o mundo externo, tanto é percebido como seio bom quando amamenta, daí o nome de “seio bom” a esse objeto no mundo interno, quanto é percebido como “seio mau”, quando não alimenta na hora em que a criança assim deseja. Como é impossível satisfazer a todos os desejos da criança, invariavelmente ela possui os dois registros desse seio, um bom e um mau. Esse conceito também é muito importante no estudo da formação de símbolos e desenvolvimento intelectual.
Em segundo lugar os bebês sentem, logo quando nascem, dois sentimentos básicos: amor e ódio. É como se a vida fosse um filme em branco e preto, ou se ama, ou se odeia. É fácil, portanto, perceber que a criança ama o “seio bom” e odeia o “seio mau” sendo essa a origem do conceito de "seio bom, seio mau". O problema é que na phantasia da criança, o “seio mau”, esse objeto interno, vai se vingar dela pelo ódio e destrutividade direcionados a ele. Esse medo de vingança é chamado de ansiedade persecutória. Quando nos defrontamos diante de um perigo, como por exemplo, quando caminhando em um parque nos defrontamos diante de uma cobra, temos o instinto de fugir. Essa reação diante do perigo é chamada em psicanálise de defesa. O conjunto de ansiedade persecutória e suas respectivas defesas são chamados por Klein de “posição esquizoparanóide”.
Com o desenvolvimento o bebê percebe que o mesmo objeto que odeia (seio mau) é o mesmo que ama (seio bom). Ele percebe que ambos os registros fazem parte de uma mesma pessoa. Agora o bebê teme perder o seio bom, pois teme que seus ataques de ódio e voracidade o tenham danificado ou morto. Esse temor da perda do objeto bom é chamado por Klein de “ansiedade depressiva”. O conjunto de ansiedade depressiva e suas respectivas defesas do ego são chamados por Klein de “posição depressiva”.
O conceito de posições é muito importante na escola kleiniana, pois o psiquismo funciona a partir delas, e todos os demais desenvolvimentos são invariavelmente baseados em seu funcionamento. Nesse sentido, o desenvolvimento em fases, proposto por Freud (fase oral, fase anal e fase fálical), é aqui substituído por um elemento mais dinâmico que estático, pois as três fases estão presentes no bebê desde os três primeiros meses de vida. Klein não nega essa divisão, muito pelo contrário, mas dá a elas uma dinâmica até então ainda não vista em psicanálise.
Aliás, é essa palavra que distingue o pensamento kleiniano do freudiano. Para Klein, o psiquismo tem um funcionamento dinâmico entre as posições esquizoparanóide e depressiva, que se inicia como o nascimento e termina com a morte. Todos os problemas emocionais, como neuroses, esquizofrenias e depressão são analisados a partir dessas duas posições. Por isso, em uma análise kleiniana, não se trata de trabalhar os conteúdos reprimidos, é preciso “equacionar” as ansiedades depressivas e ansiedades persecutórias. É necessário que o paciente perceba que o mundo não funciona em preto e branco, e que é possível amar e odiar o mesmo objeto, sem medo de destruí-lo. Em outras palavras, não adianta trabalhar o sintoma (neurose) se não trabalhar os processos que levaram seus surgimentos (ansiedades persecutória e ansiedades depressiva).

Documentário: Sigmund Freud - A Invenção da Psicanálise (1997)

Análise de uma mente - Freud (Dublado com legenda)



O documentário mostra a vida de Freud, através da análise de detalhes de sua personalidade e de suas relações familiares, desde sua infância, que inspirou muitas de suas idéias, até sua fama mundial.

Recorre a variado material biográfico, artigos pessoais, cartas, diários, fotografias e imagens raras.

Apresenta entrevistas com diversos especialistas, como o psicólogo e historiador Joe Aguayo, o diretor executivo dos arquivos de Freud Dr. Harold P. Blum, o psicanalista Dr. Leo Rangell e autores e escritores da área psicológica. Traz ainda depoimentos dos netos de Sigmund Freud, Walter e Sophie Freud. 

O programa mostra as teorias de Freud, enquanto percorre sua complexa personalidade, mostrando que, apesar de suas idéias revolucionárias, que influenciam a época moderna, Freud foi flagelado por medos neuróticos, incômodas obsessões e comportamentos adictivos. 

Apesar da dificuldade de apresentar um sumário de uma vida e trabalho tão complexos quanto os de Freud em 50 minutos, este documentário faz um trabalho excelente, dando uma visão geral dos principais eventos de sua vida, e apresenta dois aspectos pouco mostrados da vida de Freud: seu interesse pela cocaína e o trabalho que fez para promover o uso da droga, e o modo como o anti-semitismo e a ascensão do nazismo na Alemanha e na Áustria lhe causaram forte impacto, forçando-o a se exilar na Inglaterra. 

O diferencial deste documentário é ter um enfoque biográfico, sendo mais voltado a fatos interessantes da vida de Freud que a sua obra.

Requiem Para Um Sonho - Filme Dublado Polemico Completo

Sou surda e não sabia Filme Completo



O FILME:

O filme retrata a história de Sandrine, quase como um diário, a menina surda que usa a língua dos sinais e relata momentos marcantes de sua história como, por exemplo, o reconhecimento de sua identidade surda para ela e para a sua família. Por sua surdez não ter sido identificada precocemente, Sandrine inicialmente foi desconsiderada pelos pais, que a tratavam como um criança ouvinte, apesar de estranharem algumas de suas atitudes.
Durante todo o filme, Sandrine tem a sensibilidade de contar com muitos detalhes as suas lembranças de criança, quando não tinha ainda sido familiarizada com a língua de sinas e apenas observava as expressões de seus pais. Relata também sua experiência com os cheiros, entre outras situações vivenciadas. Ela conta que desde que seus pais descobriram que ela era surda, passaram a trata-la com um distanciamento que não existia antes. A relação afetuosa que até então compartilhavam se transformou numa enorme preocupação com o “problema” para o qual os pais, apenas recentemente, se despertavam.

Entre um e outro relato carregado de emoção sobre a vida de Sandrine, são tratadas questões comuns entre a população surda e as pessoas com algum tipo de deficiência auditiva como, por exemplo, a detecção da falta total ou parcial da audição. O filme mostra que independente da época em que ocorra esse diagnóstico, ele não costuma ser tratado como algo natural, uma característica distinta identificada na criança, e sim como um “problema” que precisa ser solucionado. Segundo o ponto de vista do filme, a forma como se aborda o diagnóstico de surdez cria uma espécie de expectativa para os pais, baseada no suposto retorno a uma “normalidade” que a criança deveria ter e que ainda pode ser alcançada algum dia.
Sandrine foi matriculada numa escola regular e nela permaneceu até os seus 9 anos de idade, ainda também sem nenhum contato com a língua de sinais e sem que seus pais estivessem convencidos de sua surdez e ou de como deveriam estabelecer uma relação com a menina. Ela conta que na escola integrada sentiu-se perdida, tornando-se, pouco a pouco, invisível aos olhos dos colegas e professores. Nessa escola foi ensinada a falar, e sentia que todo o esforço pedagógico por parte da escola em seu aprendizado se reduzira a “fazer-lhe falar”.
Aos nove anos Sandrine foi colocada num instituto para surdos, onde teve seu primeiro contato com crianças surdas e fez suas primeiras amizades. O filme faz a defesa do bilinguismo e das escolas bilíngues como uma possibilidade de as crianças terem acesso a língua no seu próprio “processo de apreensão do mundo”, a língua de sinais. Ela conta que a língua de sinais não é um obstáculo para aprender a ler e escrever. As escolas bilíngues, como tal, focam no ensino tanto da língua de sinais quanto no ensino da língua escrita e falada, já que estas duas últimas habilidades são importantes para acessar outras culturas ou “à cultura geral”.
Sandrine relata o que possivelmente seja uma situação comum entre a comunidade surda: a convivência entre os “dois mundos” diferentes. Ou seja, ter dois espaços de convivência com os quais acabam se habituando: o espaço oral e o da língua de sinais. Muitos dos obstáculos encontrados na vida e nos espaços de socialização das pessoas surdas vem do próprio preconceitos de pessoas ouvintes, que ainda têm a ideia da surdez como uma incapacidade. Graças ao ativismo e a luta junto a outras pessoas surdas, que Sandrine e muitas outras pessoas da comunidade surda conseguem reafirmar sua identidade, mostrar que existem e que não são incapazes.
No final do filme, vemos algumas cenas da passeata do Dia Mundial do Surdos, onde se relata que a Federação Mundial dos Surdos (World Federation of the Deaf, WFD) é uma organização não-governamental reconhecida pela ONU, que representa cerca de 70 milhões de pessoas surdas no mundo inteiro. Vale a pena resgatar do filme um trecho do relato de um dos participantes do movimento:

“(...) Quando eu era pequeno via filmes de índios. Eu não entendia por que eles tinham o rosto pintado, andavam com pano nos quadris e tinham penas na cabeça. Eu olhava por toda a parte na França e não via nenhum. Eles brigavam, lançavam flechas, tinha sangue para todo lado. Eu gostava quando a cavalaria chegava. Eles os expulsavam e reestabeleciam a paz. Quando comecei a lutar pela causa dos surdos, fiz o paralelo e entendi que éramos como os índios, porque eles tinham um lugar e deixaram de ter (...) Eu vi que a meta da nossa militância era impedir o desaparecimento da língua de sinais. Respeito a escolha de cada um. (...)”

 Comentário:
Exatamente como explicitado por um personagem ativista no filme, "entendi que éramos como os índios, porque eles tinham um lugar e deixaram de ter", a cultura surda quase se extinguiu. Séculos de segregação, e abandono, fizeram calar a "voz" dos indivíduos com deficiência auditiva,  estagnando a disseminação da língua de sinais pelo mundo. Quanto mais voltarmos no tempo, mais poderemos observar como a sociedade via o deficiente: Como um "nada". 

    " O surdo percebe o mundo de forma diferenciada dos ouvintes, através de uma experiência visual e faz uso de uma linguagem especifica para isso a língua de sinais. Esta língua é, antes de tudo, a imagem do pensamento dos surdos e faz parte da experiência vivida da comunidade surda. Como artefato cultural, a língua de sinais também é submetida à significação social a partir de critérios valorizados, sendo aprovada como sistema de linguagem rica e independente". (QUADROS, 2006)

A cultura surda tem muito a nos ensinar. Temos que nos "incluir" neste mundo de cultura tão particular e tão fascinante. Não foi sempre assim, podemos acompanhar historicamente a trajetória desta comunidade repleta de atrocidades. Foram anos de solidão social, sem existir para a sociedade eram escondidos no internatos ou nos porões das casas. Não passavam de um fardo. A mulher que dava a luz à um filho surdo poderia ser abandonada pelo marido. Quanto preconceito.

"Na década de 90, a partir da Declaração de Salamanca, as políticas de diretrizes da Educação Especial começaram a mudar e passaram a ter subsídios na proposta da inclusão. Pode-se encontrar nessa declaração a seguinte afirmação; o surdo deve ser inserido de fato, para que possa ter sua cidadania respeitada (Declaração de Salamanca, 1990, p.2). Por isso, acreditamos que é necessário a existência de políticas efetivas". (SOARES, 1999)

A luta não acabou, ainda existe muito a se fazer pela inclusão. Acredito que respeito e informação ainda 
são as armas mais fortes para que consigamos chegar ao objetivo de uma escola democrática para todos.
Um grande exemplo este filme. A pessoa apenas não ouve. Mas ela sente, sofre, sonha, planeja, produz etc.
Sandrine tem uma vida normal, e certamente é mais produtiva e feliz que muitos "ouvintes" por aí.

Danúbia Rocha


Liquidez do ser humano.... Bauman e seu conceito de modernidade líquida




É líquido, não é para durar mesmo. Segundo Bauman, vivemos em tempos de liquidez generalizada. Amor líquido, dinheiro líquido, amizades líquidas, profissionalismo líquido, o que causa uma inquietude interior por não encontrar a solidez que se precisa para ser feliz. Segundo o autor, o homem precisa  para ser feliz de dois valores essenciais que são absolutamente indispensáveis; um é segurança e o outro é liberdade. Você não consegue ser feliz na ausência de um deles. Segurança sem liberdade é escravidão. Liberdade sem segurança é um completo caos.


"A modernidade líquida em que vivemos traz consigo a misteriosa fragilidade dos laços humanos - um amor líquido. A insegurança inspirada por essa condição estimula desejos conflitantes de estreitar laços e ao mesmo tempo mantê - los frouxos"
                                                                               Zygmunt Bauman (Amor Líquido, 2003)
A fragilidade também toma seu lugar nas relações familiares, com cada membro isolado em seu quarto, cada qual conectado em um computador diferente. Se o celular nos permite estar acessíveis a toda hora e em qualquer lugar, a contiguidade geográfica não assegura um relacionamento mais consistente. Estamos fisicamente juntos, espiritualmente separados.
Ele se utiliza do termo líquido, para designar a “falta de forma” das coisas em estado líquido. O líquido toma a forma que tem por exemplo uma taça, mas se colocarmos em uma caixa de acrílico terá outra forma. Por esta concepção ele compara a nossa sociedade ao conceito ser de líquida. Seja de ordem afetiva, psicossocial ou material.
O homem busca no consumismo da sociedade imediatista, a tão sonhada felicidade. O seu valor está intrinsecamente relacionado ao seu poder de compra. Assim se afasta cada vez mais de sua humanidade, atrelando seu destino a uma sucessão de fatos fragmentados e sem sentido lógico. Resumindo sua vida inteira em uma mensagem de texto, um email, uma curtida. São sentimentos trocados por sensações. As relações se misturam e se condensam com laços momentâneos, frágeis e volúveis. Num mundo cada vez mais dinâmico, fluído e veloz. Seja real ou virtual.
Bauman crê que os relacionamentos a dois não podem se desenrolar à parte da cena social, das regras do jogo estabelecidas pela sociedade global. Nada pode, segundo ele, fugir deste complexo panorama, do moderno fenômeno conhecido como globalização. Aliás, este autor é também famoso por suas agudas pesquisas sobre os vínculos entre os tempos modernos, o Holocausto e o frenético consumo da era pós-moderna.
Para o sociólogo, a fluidez dos vínculos, que marca a sociedade contemporânea, encontra-se inevitavelmente inserida nas próprias características da modernidade, discussão esta que está perfeitamente retratada nas primeiras obras do autor. É impossível fugir das consequências da globalização, com suas vertiginosas ondas de informação e de novas idéias. Tudo ocorre com intensa velocidade, o que também se reflete nas relações entre as pessoas.

Acostumados com o mundo virtual e com a facilidade de “desconectar-se”, as pessoas não conseguem manter um relacionamento. É um “amor sintético", feito de plástico,  criado pela sociedade atual (modernidade líquida) para tirar-lhes a responsabilidade de relacionamentos sérios e duradouros. A palavra de ordem é o prazer.  Pessoas estão sendo tratadas como bens de consumo, ou seja, caso exista algo que desagrade uma das partes, ou um "defeito",  descarta-se - ou até mesmo troca-se por "versões mais atualizadas".
ZYGMUNT BAUMAN, sociólogo polonês, iniciou sua carreira na Universidade de Varsóvia, onde ocupou a cátedra de Sociologia Geral. Teve artigos e livros censurados e em 1968 foi afastado da Universidade. Emigrou da Polônia, reconstruindo a sua vida no Canadá, Estados Unidos e Austrália, até chegar à Grã-Bretanha, onde em 1971 se tornou professor titular de Sociologia da Universidade de Leeds. Recebeu os prêmios "Amalfi" ( em 1989, pelo livro "Modernidade e Holocausto") e "Adorno" ( em 1998, pelo conjunto de sua obra). Aos 87 anos, Bauman tem cerca de 30 livros publicados e "Amor Líquido" é, talvez, seu livro mais popular no Brasil.


No Brasil é possível encontrar pelo menos dezesseis de seus livros traduzidos para o português, todos pela Jorge Zahar Editor. Entre eles os principais são Amor Líquido, Globalização: as Conseqüências Humanas e Vidas Desperdiçadas. Em 1989 ele conquistou o prêmio Amalfi, por sua publicação Modernidade e Holocausto; em 1998, obteve a premiação Adorno, pela totalidade de sua obra. Hoje, Bauman leciona nas Universidades de Leeds e de Varsóvia.

Danúbia Rocha



Referências:
http://lounge.obviousmag.org/de_dentro_da_cartola/2013/11/zygmunt-bauman-vivemos-tempos-liquidos-nada-e-para-durar.html#ixzz3YzDANEFd
http://www.pdflivros.com/2013/11/baixar-amor-liquido-zygmunt-bauman.html#sthash.FSYjfjPk.dpuf

9 horas de músicas relaxantes

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