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Resenha do livro: POSTMAN, Neil. O Desaparecimento da Infância.
Resenha do livro: POSTMAN, Neil. O Desaparecimento da Infância. Tradução: Suzana Menescal de A. Carvalho e José Laurenio de Melo. Rio d...
Geração Peter Pan rumo à terra do Nunca ....
*A Síndrome de Peter Pan*
por Danúbia Rocha
Todos possivelmente já houviram falar de Peter Pan da terra do nunca.Para aqueles que não conhecem aqui vai um breve resumo; Peter Pan é um personagem criado por J. M. Barrie para sua notória peça de teatro intitulada Peter and Wendy, que originou um livro homônimo para crianças publicado em 1911, e de várias adaptações destes para o cinema. O personagem é um pequeno rapaz que se recusa a crescer e que passa a vida a ter aventuras mágicas.
Mas deixando os contos de fadas de lado, vamos tratar de vida real, na verdade, um fenômeno mundial que está preocupando pais especialistas e que vêm transformando a sociedade:
"A síndrome de Peter Pan".
Crianças para sempre...
São milhares de trintões, quarentões que vivem com os pais, vivem na academia, na balada sem prazo para terminar o curso superior, correm do casamento e não se desenvolvem profissionalmente. A ordem é curtir...curtir...curtir.
Estes eternos adolescentes que sofrem deste transtorno não aceitam a sua idade real e tem a realidade deturpada, para o que é, ou não é, adequado à sua idade naquele momento e não cogitam a hipótese de assumir responsabilidades na vida adulta.O resultado é um "adulto" inseguro, imaturo, narcisista e egoísta.
No caso da Síndrome, a dificuldade é de amadurecimento pessoal, em vários níveis psicológicos. “Na verdade, o lado moleque desse indivíduo revela a sua insegurança e o seu temor para lidar com situações que exijam maturidade.
Apesar de ser uma síndrome existe tratamento, mas não há casos graves como de surtos psicóticos, geralmente o problema se desenvolve em alguma falha na educação infantil quando eles já têm a tendência. Não é pelo fato de depender dos pais ou morar com eles, alguns podem até ter capacidade para morar sozinho, mas sempre darão um jeito de morar ou estar sempre por perto para se sentirem “seguros”. Não é um caso que depende de nível social ou etnia pode afetar homens de varias idades e culturas diferentes, o homem que geralmente sofre com a síndrome é alegre, tem muitos amigos, gosta de sair, se divertir e principalmente encarar aventuras seja inconsequentes ou não.
A rigor, a Síndrome de Peter Pan é predominante no sexo masculino. Apesar de não haver uma resposta universal para isso, entende-se que, por motivos biológicos, a mulher amadurece naturalmente mais cedo. O córtex pré-frontal das meninas, por exemplo, sai na frente em relação ao dos meninos. Por isso, elas conseguem desenvolver mais cedo o raciocínio abstrato e o controle dos impulsos. Com uma fase de amadurecimento mais tardia, o tempo possibilita ao menino “escolher”, por assim dizer, adiar essa etapa, o que leva ao desenvolvimento da Síndrome na construção de sua personalidade.
No entanto, a educação familiar e o contexto em que esse garoto viveu com certeza irão influenciar. “Uma mãe superprotetora, por exemplo, pode fortalecer essa tendência”, aponta a psicóloga Neila. Constatação óbvia: por trás de um homem-menino, é bem provável que haja uma mãe, que continua arrumando o seu quarto, dando palpite nas suas relações amorosas e ajudando-o financeiramente.Em estágios mais avançados, o homem Peter Pan pode precisar de ajuda profissional e abordagem formulada pelo psicólogo Karl Rogers é a mais adequada para o tratamento.
Para evitar que seu filho tenha maiores complicações futuramente, incentive-o a fazer desde muito pequeno, tarefas simples como: arrumar a própria cama, organizar uma gaveta ou colocar o lixo para fora.Isto trabalha o senso de participação no grupo familiar e fará com que ele sinta que você confiou na capacidade dele desempenhar estas tarefas. Assim estará trabalhando também a auto- estima fazendo com que ele consiga se situar no meio em que vive.Nada com autoritarismo, tudo com diálogo e flexibilidade.
Algumas dicas:
* Não o acostume a dormir na mesma cama que você.
• Quando ele começar a andar, troque rapidamente o berço por uma cama.
• Fique de olhos nos mimos dos avós.
• Não use chupeta ou mamadeira após os 2 anos.
• O mesmo vale para as fraldas, com limite de até 3 anos.
• Permita que a criança tenha fantasias, mas deixe bem claro os limites entre
realidade e imaginação.
*Delegue pequenas tarefas no dia a dia
*Converse claramente com seu filho, sempre fale a verdade (respeitando sua idade) nunca minta ou invente estorinhas.
Ame muito seu filho, não só para você, e sim para o mundo, ele é um ser único, fará suas próprias escolhas.Nós pais e educadores nos esquecemos de preparar os filhos para o momento em que não estaremos mais aqui. E aí?
Reflita sobre isto.
OBS: Excesso de realidade também não é o melhor caminho,pois o melhor da vida é viver a realidade com pinceladas de fantasia.
Fonte: Revista mídia e saúde
wikpedia
Geração Peter Pan rumo à terra do Nunca ....
*A Síndrome de Peter Pan*
por Danúbia Rocha
Todos possivelmente já houviram falar de Peter Pan da terra do nunca.Para aqueles que não conhecem aqui vai um breve resumo; Peter Pan é um personagem criado por J. M. Barrie para sua notória peça de teatro intitulada Peter and Wendy, que originou um livro homônimo para crianças publicado em 1911, e de várias adaptações destes para o cinema. O personagem é um pequeno rapaz que se recusa a crescer e que passa a vida a ter aventuras mágicas.
Mas deixando os contos de fadas de lado, vamos tratar de vida real, na verdade, um fenômeno mundial que está preocupando pais especialistas e que vêm transformando a sociedade:
"A síndrome de Peter Pan".
Crianças para sempre...
São milhares de trintões, quarentões que vivem com os pais, vivem na academia, na balada sem prazo para terminar o curso superior, correm do casamento e não se desenvolvem profissionalmente. A ordem é curtir...curtir...curtir.
Estes eternos adolescentes que sofrem deste transtorno não aceitam a sua idade real e tem a realidade deturpada, para o que é, ou não é, adequado à sua idade naquele momento e não cogitam a hipótese de assumir responsabilidades na vida adulta.O resultado é um "adulto" inseguro, imaturo, narcisista e egoísta.
No caso da Síndrome, a dificuldade é de amadurecimento pessoal, em vários níveis psicológicos. “Na verdade, o lado moleque desse indivíduo revela a sua insegurança e o seu temor para lidar com situações que exijam maturidade.
Apesar de ser uma síndrome existe tratamento, mas não há casos graves como de surtos psicóticos, geralmente o problema se desenvolve em alguma falha na educação infantil quando eles já têm a tendência. Não é pelo fato de depender dos pais ou morar com eles, alguns podem até ter capacidade para morar sozinho, mas sempre darão um jeito de morar ou estar sempre por perto para se sentirem “seguros”. Não é um caso que depende de nível social ou etnia pode afetar homens de varias idades e culturas diferentes, o homem que geralmente sofre com a síndrome é alegre, tem muitos amigos, gosta de sair, se divertir e principalmente encarar aventuras seja inconsequentes ou não.
A rigor, a Síndrome de Peter Pan é predominante no sexo masculino. Apesar de não haver uma resposta universal para isso, entende-se que, por motivos biológicos, a mulher amadurece naturalmente mais cedo. O córtex pré-frontal das meninas, por exemplo, sai na frente em relação ao dos meninos. Por isso, elas conseguem desenvolver mais cedo o raciocínio abstrato e o controle dos impulsos. Com uma fase de amadurecimento mais tardia, o tempo possibilita ao menino “escolher”, por assim dizer, adiar essa etapa, o que leva ao desenvolvimento da Síndrome na construção de sua personalidade.
No entanto, a educação familiar e o contexto em que esse garoto viveu com certeza irão influenciar. “Uma mãe superprotetora, por exemplo, pode fortalecer essa tendência”, aponta a psicóloga Neila. Constatação óbvia: por trás de um homem-menino, é bem provável que haja uma mãe, que continua arrumando o seu quarto, dando palpite nas suas relações amorosas e ajudando-o financeiramente.Em estágios mais avançados, o homem Peter Pan pode precisar de ajuda profissional e abordagem formulada pelo psicólogo Karl Rogers é a mais adequada para o tratamento.
Para evitar que seu filho tenha maiores complicações futuramente, incentive-o a fazer desde muito pequeno, tarefas simples como: arrumar a própria cama, organizar uma gaveta ou colocar o lixo para fora.Isto trabalha o senso de participação no grupo familiar e fará com que ele sinta que você confiou na capacidade dele desempenhar estas tarefas. Assim estará trabalhando também a auto- estima fazendo com que ele consiga se situar no meio em que vive.Nada com autoritarismo, tudo com diálogo e flexibilidade.
Algumas dicas:
* Não o acostume a dormir na mesma cama que você.
• Quando ele começar a andar, troque rapidamente o berço por uma cama.
• Fique de olhos nos mimos dos avós.
• Não use chupeta ou mamadeira após os 2 anos.
• O mesmo vale para as fraldas, com limite de até 3 anos.
• Permita que a criança tenha fantasias, mas deixe bem claro os limites entre
realidade e imaginação.
*Delegue pequenas tarefas no dia a dia
*Converse claramente com seu filho, sempre fale a verdade (respeitando sua idade) nunca minta ou invente estorinhas.
Ame muito seu filho, não só para você, e sim para o mundo, ele é um ser único, fará suas próprias escolhas.Nós pais e educadores nos esquecemos de preparar os filhos para o momento em que não estaremos mais aqui. E aí?
Reflita sobre isto.
OBS: Excesso de realidade também não é o melhor caminho,pois o melhor da vida é viver a realidade com pinceladas de fantasia.
Fonte: Revista mídia e saúde
wikpedia
"Universidade federal não forma para o trabalho"
por RICARDO WESTIN
O professor e economista Jorge Madeira Nogueira, da Universidade de Brasília, afirma que o
Ministério da Educação é capaz de impedir o temido "apagão" de mão de obra qualificada no Brasil.
O MEC, diz, precisa fechar os cursos baratos das universidades federais e transferi-los para as faculdades privadas. As federais ficariam só com os cursos que formam profissionais estratégicos para o crescimento do país.
FOLHA - Existe, de fato, o risco de a economia travar por falta de profissional qualificado?
Jorge M. Nogueira
Formamos muitos advogados e administradores, mas um país não se faz só com advogados e administradores. Muitas empresas já não conseguem encontrar engenheiros dentro da qualificação necessária. A nossa graduação está formando pouco e mal.
Jorge M. Nogueira
Formamos muitos advogados e administradores, mas um país não se faz só com advogados e administradores. Muitas empresas já não conseguem encontrar engenheiros dentro da qualificação necessária. A nossa graduação está formando pouco e mal.
Mas o governo tem multiplicado as vagas nas federais...
Lamento essa estratégia. O Brasil não tem dinheiro para manter 70 universidades federais. Está diluindo recursos. Com pouco dinheiro, as federais passam fome e fazem pesquisinha. Entre numa federal de Mato Grosso e você vai chorar. E é justamente lá a fronteira agrícola. Por outro lado, as federais sempre têm um curso de contabilidade. Não adianta fazer universidade pública com cursos baratos. Quero ver abrir engenharia nuclear ou mecatrônica. O governo deve escolher dez universidades e investir pesado, para que se tornem fontes de recursos humanos top de linha.
Lamento essa estratégia. O Brasil não tem dinheiro para manter 70 universidades federais. Está diluindo recursos. Com pouco dinheiro, as federais passam fome e fazem pesquisinha. Entre numa federal de Mato Grosso e você vai chorar. E é justamente lá a fronteira agrícola. Por outro lado, as federais sempre têm um curso de contabilidade. Não adianta fazer universidade pública com cursos baratos. Quero ver abrir engenharia nuclear ou mecatrônica. O governo deve escolher dez universidades e investir pesado, para que se tornem fontes de recursos humanos top de linha.
E os cursos baratos?
As faculdades privadas podem cuidar deles. Os alunos que não puderem pagar terão bolsas de estudos. Não podemos querer que a universidade pública se encarregue de tudo. O Brasil não está tendo a coragem de fazer a divisão entre público e privado no ensino superior. Antes, dava-se um diploma ao jovem e pronto. Ele conseguia emprego. Hoje há o mercado. A empresa quer o jovem com uma qualificação bem específica. Se não tiver, ele não serve para o mercado.
As faculdades privadas podem cuidar deles. Os alunos que não puderem pagar terão bolsas de estudos. Não podemos querer que a universidade pública se encarregue de tudo. O Brasil não está tendo a coragem de fazer a divisão entre público e privado no ensino superior. Antes, dava-se um diploma ao jovem e pronto. Ele conseguia emprego. Hoje há o mercado. A empresa quer o jovem com uma qualificação bem específica. Se não tiver, ele não serve para o mercado.
Não é perigoso deixar as universidades federais formando só para o mercado?
Não é pecado. É claro que as federais não devem formar só o que o mercado quer, mas também não devem formar só o que o mercado não quer. A esquerda tem um ranço de que é preciso formar universitários com uma visão humanística, mas assim deixa-se o mercado a ver navios. Não me venham com o papo de que 70 federais de péssima qualidade geram pensamento. O governo pode deixar um grupo menor [de universidades] com qualidade fazendo esses novos pensamentos. Quando se quer todas as universidades fazendo tudo, elas ficam medíocres.
FONTE:
ESTA REPORTAGEM É INTERESSANTE, POIS FAZ PENSAR SOBRE OS RUMOS DA EDUCAÇÃO SUPERIOR NO BRASIL, QUE A MEU VER AINDA É BASTANTE DEFICITÁRIO.NÃO ENTENDO QUE "ACOMPANHAR O MERCADO"SERIA O MAIS IMPORTANTE. O PRINCIPAL É OFERECER SUBSIDIOS REAIS PARA FORMAÇÃO DE PROFISSIONAIS COMPETENTES E COMPLETOS, RESPEITANDO AS EXIGÊNCIAS MERCADOLÓGICAS E VOCACIONAIS DOS ESTUDANTES.
"Universidade federal não forma para o trabalho"
por RICARDO WESTIN
O professor e economista Jorge Madeira Nogueira, da Universidade de Brasília, afirma que o
Ministério da Educação é capaz de impedir o temido "apagão" de mão de obra qualificada no Brasil.
O MEC, diz, precisa fechar os cursos baratos das universidades federais e transferi-los para as faculdades privadas. As federais ficariam só com os cursos que formam profissionais estratégicos para o crescimento do país.
FOLHA - Existe, de fato, o risco de a economia travar por falta de profissional qualificado?
Jorge M. Nogueira
Formamos muitos advogados e administradores, mas um país não se faz só com advogados e administradores. Muitas empresas já não conseguem encontrar engenheiros dentro da qualificação necessária. A nossa graduação está formando pouco e mal.
Jorge M. Nogueira
Formamos muitos advogados e administradores, mas um país não se faz só com advogados e administradores. Muitas empresas já não conseguem encontrar engenheiros dentro da qualificação necessária. A nossa graduação está formando pouco e mal.
Mas o governo tem multiplicado as vagas nas federais...
Lamento essa estratégia. O Brasil não tem dinheiro para manter 70 universidades federais. Está diluindo recursos. Com pouco dinheiro, as federais passam fome e fazem pesquisinha. Entre numa federal de Mato Grosso e você vai chorar. E é justamente lá a fronteira agrícola. Por outro lado, as federais sempre têm um curso de contabilidade. Não adianta fazer universidade pública com cursos baratos. Quero ver abrir engenharia nuclear ou mecatrônica. O governo deve escolher dez universidades e investir pesado, para que se tornem fontes de recursos humanos top de linha.
Lamento essa estratégia. O Brasil não tem dinheiro para manter 70 universidades federais. Está diluindo recursos. Com pouco dinheiro, as federais passam fome e fazem pesquisinha. Entre numa federal de Mato Grosso e você vai chorar. E é justamente lá a fronteira agrícola. Por outro lado, as federais sempre têm um curso de contabilidade. Não adianta fazer universidade pública com cursos baratos. Quero ver abrir engenharia nuclear ou mecatrônica. O governo deve escolher dez universidades e investir pesado, para que se tornem fontes de recursos humanos top de linha.
E os cursos baratos?
As faculdades privadas podem cuidar deles. Os alunos que não puderem pagar terão bolsas de estudos. Não podemos querer que a universidade pública se encarregue de tudo. O Brasil não está tendo a coragem de fazer a divisão entre público e privado no ensino superior. Antes, dava-se um diploma ao jovem e pronto. Ele conseguia emprego. Hoje há o mercado. A empresa quer o jovem com uma qualificação bem específica. Se não tiver, ele não serve para o mercado.
As faculdades privadas podem cuidar deles. Os alunos que não puderem pagar terão bolsas de estudos. Não podemos querer que a universidade pública se encarregue de tudo. O Brasil não está tendo a coragem de fazer a divisão entre público e privado no ensino superior. Antes, dava-se um diploma ao jovem e pronto. Ele conseguia emprego. Hoje há o mercado. A empresa quer o jovem com uma qualificação bem específica. Se não tiver, ele não serve para o mercado.
Não é perigoso deixar as universidades federais formando só para o mercado?
Não é pecado. É claro que as federais não devem formar só o que o mercado quer, mas também não devem formar só o que o mercado não quer. A esquerda tem um ranço de que é preciso formar universitários com uma visão humanística, mas assim deixa-se o mercado a ver navios. Não me venham com o papo de que 70 federais de péssima qualidade geram pensamento. O governo pode deixar um grupo menor [de universidades] com qualidade fazendo esses novos pensamentos. Quando se quer todas as universidades fazendo tudo, elas ficam medíocres.
FONTE:
ESTA REPORTAGEM É INTERESSANTE, POIS FAZ PENSAR SOBRE OS RUMOS DA EDUCAÇÃO SUPERIOR NO BRASIL, QUE A MEU VER AINDA É BASTANTE DEFICITÁRIO.NÃO ENTENDO QUE "ACOMPANHAR O MERCADO"SERIA O MAIS IMPORTANTE. O PRINCIPAL É OFERECER SUBSIDIOS REAIS PARA FORMAÇÃO DE PROFISSIONAIS COMPETENTES E COMPLETOS, RESPEITANDO AS EXIGÊNCIAS MERCADOLÓGICAS E VOCACIONAIS DOS ESTUDANTES.
A música das esferas, artigo de Marcelo Gleiser
A música
fala diretamente ao inconsciente, criando ressonâncias emotivas que são
únicas. É bem verdade que um poema ou um quadro também afetam pessoas
de modo diferente. Mas a mensagem é mais concreta, mais direta. Existe
algo de imponderável na música, um apelo primordial, algo que antecede
palavras ou imagens
Marcelo Gleiser é
professor de física teórica do Dartmouth College, em Hanover (EUA), e
autor do livro 'O Fim da Terra e do Céu'. Artigo publicado na 'Folha de
SP':
A música, dentre as artes, é a mais misteriosa. Como podem os sons invocar emoções tão fortes, alegrias e tristezas, lembranças de momentos especiais ou dolorosos, paixões passadas e esperanças futuras, patriotismo, ódio, ternura? Quando se pensa que sons nada mais são que vibrações que se propagam pelo ar, o mistério aumenta ainda mais.
A física explica como ondas sonoras se comportam, suas frequências e amplitudes. A biologia e as ciências cognitivas explicam como o aparelho auditivo transforma essas vibrações em impulsos elétricos que são propagados ao longo de nervos para os locais apropriados do cérebro.
Mas daí até entender por que um adágio faz uma pessoa chorar, enquanto outra fica indiferente ou até acha aquilo chato, o pulo é enorme.
A música fala diretamente ao inconsciente, criando ressonâncias emotivas que são únicas. É bem verdade que um poema ou um quadro também afetam pessoas de modo diferente. Mas a mensagem é mais concreta, mais direta. Existe algo de imponderável na música, um apelo primordial, algo que antecede palavras ou imagens.
Não é por acaso que a música teve, desde o início da história, um papel tão fundamental nos rituais. Ritmos evocam transes em que o eu é anulado em nome de algo muito mais amplo. Quando um grupo de pessoas escuta o mesmo ritmo, as separações entre elas deixam de existir, e um sentimento de união se faz presente. Mais explicitamente, todo mundo gosta de sambar com uma boa batucada. E todos no mesmo ritmo, ou seja, indivíduos se unificam por meio da dança. A dança dá realidade espacial à música, tornando-a concreta.
A música foi o primeiro veículo de transcendência do homem. Daí sua presença tão fundamental nas várias religiões. E ela foi, também, a primeira porta para a ciência. Tudo começou em torno de 520 a.C., quando o filósofo grego Pitágoras, vivendo na época no sul da Itália, descobriu uma relação matemática entre som e harmonia. Ele mostrou que os sons que chamamos de harmônicos, prazerosos, obedecem a uma relação matemática simples.
Usando uma lira, uma espécie de harpa antiga, ele mostrou que o tom de uma corda, quando soada na metade de seu comprimento, é uma oitava acima do som da corda livre, portanto satisfazendo uma razão de 1:2. Quando a corda é soada em 2:3 de seu comprimento, o som é uma quinta mais alto; em 3:4, uma quarta mais alto.
Com isso, Pitágoras construiu uma escala musical baseada em razões simples entre os números inteiros. Como essa escala era de caráter tonal, os pitagóricos associaram o que é harmônico com o que obedece a relações simples entre os números inteiros.
E foi aqui que eles deram o grande pulo: não só a música que ouvimos, mas todas as harmonias e proporções geométricas que existem na natureza podem ser descritas por relações simples entre números inteiros. Afinal, formas podem ser aproximadas por triângulos, quadrados, esferas etc., e essas figuras podem ser descritas por números.
Portanto, do mesmo modo que a corda da lira gera música harmônica para determinadas razões de seu comprimento, os padrões geométricos do mundo também geram as suas melodias: a música se torna expressão da harmonia da natureza, e a matemática, a linguagem com que essa harmonia é expressa. Som, forma e número são unificados no conceito de harmonia.
Pitágoras não deixou as suas harmonias apenas na Terra. Ele as lançou para os céus, para as esferas celestes. Embora os detalhes tenham se perdido para sempre, segundo a lenda apenas o mestre podia ouvir a música das esferas.
Na época, ainda se acreditava que a Terra era o centro do cosmo. Os planetas eram transportados através dos céus grudados nas esferas celestes. Se as distâncias entre essas esferas obedeciam a certas razões, elas também gerariam música ao girar pelos céus, a música das esferas. Pitágoras e seus sucessores não só estabeleceram a essência matemática da natureza como levaram essa essência além da Terra, unificando o homem com o restante do cosmo por meio da música como veículo de transcendência.
(Folha de SP, 14/12)
A música, dentre as artes, é a mais misteriosa. Como podem os sons invocar emoções tão fortes, alegrias e tristezas, lembranças de momentos especiais ou dolorosos, paixões passadas e esperanças futuras, patriotismo, ódio, ternura? Quando se pensa que sons nada mais são que vibrações que se propagam pelo ar, o mistério aumenta ainda mais.
A física explica como ondas sonoras se comportam, suas frequências e amplitudes. A biologia e as ciências cognitivas explicam como o aparelho auditivo transforma essas vibrações em impulsos elétricos que são propagados ao longo de nervos para os locais apropriados do cérebro.
Mas daí até entender por que um adágio faz uma pessoa chorar, enquanto outra fica indiferente ou até acha aquilo chato, o pulo é enorme.
A música fala diretamente ao inconsciente, criando ressonâncias emotivas que são únicas. É bem verdade que um poema ou um quadro também afetam pessoas de modo diferente. Mas a mensagem é mais concreta, mais direta. Existe algo de imponderável na música, um apelo primordial, algo que antecede palavras ou imagens.
Não é por acaso que a música teve, desde o início da história, um papel tão fundamental nos rituais. Ritmos evocam transes em que o eu é anulado em nome de algo muito mais amplo. Quando um grupo de pessoas escuta o mesmo ritmo, as separações entre elas deixam de existir, e um sentimento de união se faz presente. Mais explicitamente, todo mundo gosta de sambar com uma boa batucada. E todos no mesmo ritmo, ou seja, indivíduos se unificam por meio da dança. A dança dá realidade espacial à música, tornando-a concreta.
A música foi o primeiro veículo de transcendência do homem. Daí sua presença tão fundamental nas várias religiões. E ela foi, também, a primeira porta para a ciência. Tudo começou em torno de 520 a.C., quando o filósofo grego Pitágoras, vivendo na época no sul da Itália, descobriu uma relação matemática entre som e harmonia. Ele mostrou que os sons que chamamos de harmônicos, prazerosos, obedecem a uma relação matemática simples.
Usando uma lira, uma espécie de harpa antiga, ele mostrou que o tom de uma corda, quando soada na metade de seu comprimento, é uma oitava acima do som da corda livre, portanto satisfazendo uma razão de 1:2. Quando a corda é soada em 2:3 de seu comprimento, o som é uma quinta mais alto; em 3:4, uma quarta mais alto.
Com isso, Pitágoras construiu uma escala musical baseada em razões simples entre os números inteiros. Como essa escala era de caráter tonal, os pitagóricos associaram o que é harmônico com o que obedece a relações simples entre os números inteiros.
E foi aqui que eles deram o grande pulo: não só a música que ouvimos, mas todas as harmonias e proporções geométricas que existem na natureza podem ser descritas por relações simples entre números inteiros. Afinal, formas podem ser aproximadas por triângulos, quadrados, esferas etc., e essas figuras podem ser descritas por números.
Portanto, do mesmo modo que a corda da lira gera música harmônica para determinadas razões de seu comprimento, os padrões geométricos do mundo também geram as suas melodias: a música se torna expressão da harmonia da natureza, e a matemática, a linguagem com que essa harmonia é expressa. Som, forma e número são unificados no conceito de harmonia.
Pitágoras não deixou as suas harmonias apenas na Terra. Ele as lançou para os céus, para as esferas celestes. Embora os detalhes tenham se perdido para sempre, segundo a lenda apenas o mestre podia ouvir a música das esferas.
Na época, ainda se acreditava que a Terra era o centro do cosmo. Os planetas eram transportados através dos céus grudados nas esferas celestes. Se as distâncias entre essas esferas obedeciam a certas razões, elas também gerariam música ao girar pelos céus, a música das esferas. Pitágoras e seus sucessores não só estabeleceram a essência matemática da natureza como levaram essa essência além da Terra, unificando o homem com o restante do cosmo por meio da música como veículo de transcendência.
(Folha de SP, 14/12)
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=14985
A música das esferas, artigo de Marcelo Gleiser
A música
fala diretamente ao inconsciente, criando ressonâncias emotivas que são
únicas. É bem verdade que um poema ou um quadro também afetam pessoas
de modo diferente. Mas a mensagem é mais concreta, mais direta. Existe
algo de imponderável na música, um apelo primordial, algo que antecede
palavras ou imagens
Marcelo Gleiser é
professor de física teórica do Dartmouth College, em Hanover (EUA), e
autor do livro 'O Fim da Terra e do Céu'. Artigo publicado na 'Folha de
SP':
A música, dentre as artes, é a mais misteriosa. Como podem os sons invocar emoções tão fortes, alegrias e tristezas, lembranças de momentos especiais ou dolorosos, paixões passadas e esperanças futuras, patriotismo, ódio, ternura? Quando se pensa que sons nada mais são que vibrações que se propagam pelo ar, o mistério aumenta ainda mais.
A física explica como ondas sonoras se comportam, suas frequências e amplitudes. A biologia e as ciências cognitivas explicam como o aparelho auditivo transforma essas vibrações em impulsos elétricos que são propagados ao longo de nervos para os locais apropriados do cérebro.
Mas daí até entender por que um adágio faz uma pessoa chorar, enquanto outra fica indiferente ou até acha aquilo chato, o pulo é enorme.
A música fala diretamente ao inconsciente, criando ressonâncias emotivas que são únicas. É bem verdade que um poema ou um quadro também afetam pessoas de modo diferente. Mas a mensagem é mais concreta, mais direta. Existe algo de imponderável na música, um apelo primordial, algo que antecede palavras ou imagens.
Não é por acaso que a música teve, desde o início da história, um papel tão fundamental nos rituais. Ritmos evocam transes em que o eu é anulado em nome de algo muito mais amplo. Quando um grupo de pessoas escuta o mesmo ritmo, as separações entre elas deixam de existir, e um sentimento de união se faz presente. Mais explicitamente, todo mundo gosta de sambar com uma boa batucada. E todos no mesmo ritmo, ou seja, indivíduos se unificam por meio da dança. A dança dá realidade espacial à música, tornando-a concreta.
A música foi o primeiro veículo de transcendência do homem. Daí sua presença tão fundamental nas várias religiões. E ela foi, também, a primeira porta para a ciência. Tudo começou em torno de 520 a.C., quando o filósofo grego Pitágoras, vivendo na época no sul da Itália, descobriu uma relação matemática entre som e harmonia. Ele mostrou que os sons que chamamos de harmônicos, prazerosos, obedecem a uma relação matemática simples.
Usando uma lira, uma espécie de harpa antiga, ele mostrou que o tom de uma corda, quando soada na metade de seu comprimento, é uma oitava acima do som da corda livre, portanto satisfazendo uma razão de 1:2. Quando a corda é soada em 2:3 de seu comprimento, o som é uma quinta mais alto; em 3:4, uma quarta mais alto.
Com isso, Pitágoras construiu uma escala musical baseada em razões simples entre os números inteiros. Como essa escala era de caráter tonal, os pitagóricos associaram o que é harmônico com o que obedece a relações simples entre os números inteiros.
E foi aqui que eles deram o grande pulo: não só a música que ouvimos, mas todas as harmonias e proporções geométricas que existem na natureza podem ser descritas por relações simples entre números inteiros. Afinal, formas podem ser aproximadas por triângulos, quadrados, esferas etc., e essas figuras podem ser descritas por números.
Portanto, do mesmo modo que a corda da lira gera música harmônica para determinadas razões de seu comprimento, os padrões geométricos do mundo também geram as suas melodias: a música se torna expressão da harmonia da natureza, e a matemática, a linguagem com que essa harmonia é expressa. Som, forma e número são unificados no conceito de harmonia.
Pitágoras não deixou as suas harmonias apenas na Terra. Ele as lançou para os céus, para as esferas celestes. Embora os detalhes tenham se perdido para sempre, segundo a lenda apenas o mestre podia ouvir a música das esferas.
Na época, ainda se acreditava que a Terra era o centro do cosmo. Os planetas eram transportados através dos céus grudados nas esferas celestes. Se as distâncias entre essas esferas obedeciam a certas razões, elas também gerariam música ao girar pelos céus, a música das esferas. Pitágoras e seus sucessores não só estabeleceram a essência matemática da natureza como levaram essa essência além da Terra, unificando o homem com o restante do cosmo por meio da música como veículo de transcendência.
(Folha de SP, 14/12)
A música, dentre as artes, é a mais misteriosa. Como podem os sons invocar emoções tão fortes, alegrias e tristezas, lembranças de momentos especiais ou dolorosos, paixões passadas e esperanças futuras, patriotismo, ódio, ternura? Quando se pensa que sons nada mais são que vibrações que se propagam pelo ar, o mistério aumenta ainda mais.
A física explica como ondas sonoras se comportam, suas frequências e amplitudes. A biologia e as ciências cognitivas explicam como o aparelho auditivo transforma essas vibrações em impulsos elétricos que são propagados ao longo de nervos para os locais apropriados do cérebro.
Mas daí até entender por que um adágio faz uma pessoa chorar, enquanto outra fica indiferente ou até acha aquilo chato, o pulo é enorme.
A música fala diretamente ao inconsciente, criando ressonâncias emotivas que são únicas. É bem verdade que um poema ou um quadro também afetam pessoas de modo diferente. Mas a mensagem é mais concreta, mais direta. Existe algo de imponderável na música, um apelo primordial, algo que antecede palavras ou imagens.
Não é por acaso que a música teve, desde o início da história, um papel tão fundamental nos rituais. Ritmos evocam transes em que o eu é anulado em nome de algo muito mais amplo. Quando um grupo de pessoas escuta o mesmo ritmo, as separações entre elas deixam de existir, e um sentimento de união se faz presente. Mais explicitamente, todo mundo gosta de sambar com uma boa batucada. E todos no mesmo ritmo, ou seja, indivíduos se unificam por meio da dança. A dança dá realidade espacial à música, tornando-a concreta.
A música foi o primeiro veículo de transcendência do homem. Daí sua presença tão fundamental nas várias religiões. E ela foi, também, a primeira porta para a ciência. Tudo começou em torno de 520 a.C., quando o filósofo grego Pitágoras, vivendo na época no sul da Itália, descobriu uma relação matemática entre som e harmonia. Ele mostrou que os sons que chamamos de harmônicos, prazerosos, obedecem a uma relação matemática simples.
Usando uma lira, uma espécie de harpa antiga, ele mostrou que o tom de uma corda, quando soada na metade de seu comprimento, é uma oitava acima do som da corda livre, portanto satisfazendo uma razão de 1:2. Quando a corda é soada em 2:3 de seu comprimento, o som é uma quinta mais alto; em 3:4, uma quarta mais alto.
Com isso, Pitágoras construiu uma escala musical baseada em razões simples entre os números inteiros. Como essa escala era de caráter tonal, os pitagóricos associaram o que é harmônico com o que obedece a relações simples entre os números inteiros.
E foi aqui que eles deram o grande pulo: não só a música que ouvimos, mas todas as harmonias e proporções geométricas que existem na natureza podem ser descritas por relações simples entre números inteiros. Afinal, formas podem ser aproximadas por triângulos, quadrados, esferas etc., e essas figuras podem ser descritas por números.
Portanto, do mesmo modo que a corda da lira gera música harmônica para determinadas razões de seu comprimento, os padrões geométricos do mundo também geram as suas melodias: a música se torna expressão da harmonia da natureza, e a matemática, a linguagem com que essa harmonia é expressa. Som, forma e número são unificados no conceito de harmonia.
Pitágoras não deixou as suas harmonias apenas na Terra. Ele as lançou para os céus, para as esferas celestes. Embora os detalhes tenham se perdido para sempre, segundo a lenda apenas o mestre podia ouvir a música das esferas.
Na época, ainda se acreditava que a Terra era o centro do cosmo. Os planetas eram transportados através dos céus grudados nas esferas celestes. Se as distâncias entre essas esferas obedeciam a certas razões, elas também gerariam música ao girar pelos céus, a música das esferas. Pitágoras e seus sucessores não só estabeleceram a essência matemática da natureza como levaram essa essência além da Terra, unificando o homem com o restante do cosmo por meio da música como veículo de transcendência.
(Folha de SP, 14/12)
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=14985
Aritmúsica ou Música Pitagórica?
Pitágoras a Música e a Matemática
por Danubia Rocha
“Um certo Pitágoras, numa das suas viagens, passou por acaso numa oficina onde se batia numa bigorna com cinco martelos. Espantado pela agradável harmonia (concordiam) que eles produziam, o nosso filósofo aproximou-se e, pensando inicialmente que a qualidade do som e da harmonia (modulationis) estava nas diferentes mãos, trocou os martelos. Assim feito, cada martelo conservava o som que lhe era próprio. Após ter retirado um que era dissonante, pesou os outros e, coisa admirável, pela graça de Deus, o primeiro pesava doze, o segundo nove, o terceiro oito, o quarto seis de não sei que unidade de peso.” Assim descreve Guido d’Arezzo (992 -1050?), no seu pequeno mas influente tratado de música Micrologus, a lenda que atribui a Pitágoras (séc. VI AC) a descoberta fundamental da dependência dos intervalos musicais dos quocientes dos primeiros números inteiros, i.e., parafraseando o romano Boécio (séc. VI), “a grande, espantosa e muito sutil relação (concordiam) que existe entre a música e as proporções dos números (numerum proportione)”
A música na Grécia Antiga:
Na Grécia Antiga se tinha uma concepção muito diferente da nossa sobre música.O conceito de música para os Gregos não se limitava apenas à sua dimensão sonora.É muito mais amplo e complexo e englobava a dança, poesia, filosofia e a matafísica (ramo da filosofia que estuda a essência do mundo).
O conceito de mousiké:
Etimologicamente a palavra mousiké significa musa.Filhas de Júpiter e Mnemosine, as musas eram as Deusas da poesia e da educação, que na época abrangiam não somente o conhecimento literário mas também as outras expressões artísticas como a dança, o canto, e os instrumentos musicais.As musas doavam inspiração poética e conhecimentos aos homens. No secVI a.c surge o conceito de uma música que não se houve, mas é pensada antes como fenômeno sonoro representado por símbolos e razões matemáticas.O conceito de música amplia se aproximando do conceito de logos e harmonia, como forma de organização do pensamento
A palavra harmonia para os gregos, foi usada de maneira diferente de seu sentido atual, pois não se referia apenas a harmonia musical e também harmonia matemática e filosófica.
O mito e o logus:
A mitologia foi uma das principais heranças da civilização Grega.Os mitos influenciaram a arte a história e o pensamento Grego. O mito era uma narrativa oral ligada a um conceito ritualístico.
O surgimento da escrita distanciou o mito do momento sagrado da narrativa.E assim nasce o logos discurso racional, lógico e objetivo sobre o mundo que se expressa sobretudo pela escrita.
Em relação à música, a articulação entre o mitos e o logos, teve amplas repercussões na cultura Grega.Eles se aproximam; o canto afinado remete a palavra à uma outra dimensão onde a forma de expressão é tão importante quanto o conteúdo.A presença da música em recitais de poesia e nos antigos épicos, envolvia a palavra em um poder sagrado quase mítico.
Acreditava se nesta época, que a música poderia influenciar no caracter de uma pessoa, dependendo da melodia tocada.
O primeiro experimemto científico da história:
Por volta do sec VI a.c com os pitagóricos, ao descobrirem as proporções numéricas contidas nas harmonias musicais, a música passou a ser explicada por meio da matemática e da lógica, tornando se objeto de especulação teórica.Com a criação do alfabeto tornou se possível representar não só os sons da língua mas também dos números e da música. Desta forma a música passou a ocupar lugar central na educação Grega.
A música tinha o objetivo de educar o senso estético dos discípulos da sociedade pitagórica.A contemplação dos sons individuais assim como as das melodias e sua composições, acontecia da mesma forma que se apreciava a geometria e suas figuras.
Foi assim que Pitágoras relacionou a música com a matemática.
Conforme a lenda, Pitágoras foi guiado pelos deuses na descoberta das razões matemáticas por trás dos sons, depois de observar o comprimento dos martelos dos ferreiros. A ele é creditado a descoberta do intervalo de uma oitava como sendo referente a uma relação de frequência de 2:1, uma quinta em 3:2, uma quarta em 4:3, e um tom em 9:8. Os seguidores de Pitágoras aplicaram estas razões ao comprimento de fios de corda em um instrumento chamado cânon, ou monocorda, e, portanto, foram capazes de determinar matematicamente a entonação de todo um sistema musical. Os pitagóricos viam estas razões governando todo o Cosmos assim como o som, e Platão descreve em sua obra, Timeu, "a alma do mundo" como estando estruturada de acordo com estas mesmas razões. Para os pitagóricos, assim como para platão, a música se tornou uma natural extensão da matemática, bem como uma arte.
Conforme a lenda, Pitágoras foi guiado pelos deuses na descoberta das razões matemáticas por trás dos sons, depois de observar o comprimento dos martelos dos ferreiros. A ele é creditado a descoberta do intervalo de uma oitava como sendo referente a uma relação de frequência de 2:1, uma quinta em 3:2, uma quarta em 4:3, e um tom em 9:8. Os seguidores de Pitágoras aplicaram estas razões ao comprimento de fios de corda em um instrumento chamado cânon, ou monocorda, e, portanto, foram capazes de determinar matematicamente a entonação de todo um sistema musical. Os pitagóricos viam estas razões governando todo o Cosmos assim como o som, e Platão descreve em sua obra, Timeu, "a alma do mundo" como estando estruturada de acordo com estas mesmas razões. Para os pitagóricos, assim como para platão, a música se tornou uma natural extensão da matemática, bem como uma arte.
| MONOCÓRDIO |
O maior impacto gerado por esta descoberta foi de que a harmonia sensível, percebida nas consonâncias musicais, estava relacionada à harmonia inteligível, representada pelos números.Essa correspondência entre
fenômenos físicos e os números foi a base da filosofia pitagórica.Esta idéia inspirou para o modelo platônico de música das esferas.Seu pensamento profético vislumbrou nos intervalos
musicais as leis que regem o Universo. Se os números apenas bastam para
explicar a consonância não poderia também o todo ser exprimível
como número ou proporção?
Através deste estudo podemos observar que a música pode ser o cominho para uma pedagogia mais humanizada, tão difundida e pouco aplicada em nosso dia a dia.
Danubia Rocha
Biobliografia:
livro: Coleção: Ensaios Transversais
Musicalizando a escola: música, conhecimento e educação
editora: Escrituras
autor:Carlos Eduardo de Souza Campos Granja ( integrante do grupo Barbatuques )
Aritmúsica ou Música Pitagórica?
Pitágoras: A Música e A Matemática
por Danubia Rocha
“Um certo Pitágoras, numa das suas viagens, passou por acaso numa oficina onde se batia numa bigorna com cinco martelos. Espantado pela agradável harmonia (concordiam) que eles produziam, o nosso filósofo aproximou-se e, pensando inicialmente que a qualidade do som e da harmonia (modulationis) estava nas diferentes mãos, trocou os martelos. Assim feito, cada martelo conservava o som que lhe era próprio. Após ter retirado um que era dissonante, pesou os outros e, coisa admirável, pela graça de Deus, o primeiro pesava doze, o segundo nove, o terceiro oito, o quarto seis de não sei que unidade de peso.” Assim descreve Guido d’Arezzo (992 -1050?), no seu pequeno mas influente tratado de música Micrologus, a lenda que atribui a Pitágoras (séc. VI AC) a descoberta fundamental da dependência dos intervalos musicais dos quocientes dos primeiros números inteiros, i.e., parafraseando o romano Boécio (séc. VI), “a grande, espantosa e muito sutil relação (concordiam) que existe entre a música e as proporções dos números (numerum proportione)”
A música na Grécia Antiga:
Na Grécia Antiga se tinha uma concepção muito diferente da nossa sobre música. O conceito de música para os Gregos não se limitava apenas à sua dimensão sonora.É muito mais amplo e complexo e englobava a dança, poesia, filosofia e a matafísica (ramo da filosofia que estuda a essência do mundo).
O conceito de mousiké:
Etimologicamente a palavra mousiké significa musa.Filhas de Júpiter e Mnemosine, as musas eram as Deusas da poesia e da educação, que na época abrangiam não somente o conhecimento literário mas também as outras expressões artísticas como a dança, o canto, e os instrumentos musicais.As musas doavam inspiração poética e conhecimentos aos homens. No secVI a.c surge o conceito de uma música que não se houve, mas é pensada antes como fenômeno sonoro representado por símbolos e razões matemáticas.O conceito de música amplia se aproximando do conceito de logos e harmonia, como forma de organização do pensamento
A palavra harmonia para os gregos, foi usada de maneira diferente de seu sentido atual, pois não se referia apenas a harmonia musical e também harmonia matemática e filosófica.
O mito e o logus:
A mitologia foi uma das principais heranças da civilização Grega.Os mitos influenciaram a arte a história e o pensamento Grego. O mito era uma narrativa oral ligada a um conceito ritualístico.
O surgimento da escrita distanciou o mito do momento sagrado da narrativa.E assim nasce o logos discurso racional, lógico e objetivo sobre o mundo que se expressa sobretudo pela escrita.
Em relação à música, a articulação entre o mitos e o logos, teve amplas repercussões na cultura Grega.Eles se aproximam; o canto afinado remete a palavra à uma outra dimensão onde a forma de expressão é tão importante quanto o conteúdo.A presença da música em recitais de poesia e nos antigos épicos, envolvia a palavra em um poder sagrado quase mítico.
Acreditava se nesta época, que a música poderia influenciar no caracter de uma pessoa, dependendo da melodia tocada.
O primeiro experimemto científico da história:
Por volta do sec VI a.c com os pitagóricos, ao descobrirem as proporções numéricas contidas nas harmonias musicais, a música passou a ser explicada por meio da matemática e da lógica, tornando se objeto de especulação teórica.Com a criação do alfabeto tornou se possível representar não só os sons da língua mas também dos números e da música. Desta forma a música passou a ocupar lugar central na educação Grega.
A música tinha o objetivo de educar o senso estético dos discípulos da sociedade pitagórica.A contemplação dos sons individuais assim como as das melodias e sua composições, acontecia da mesma forma que se apreciava a geometria e suas figuras.
Foi assim que Pitágoras relacionou a música com a matemática.
Conforme a lenda, Pitágoras foi guiado pelos deuses na descoberta das razões matemáticas por trás dos sons, depois de observar o comprimento dos martelos dos ferreiros. A ele é creditado a descoberta do intervalo de uma oitava como sendo referente a uma relação de frequência de 2:1, uma quinta em 3:2, uma quarta em 4:3, e um tom em 9:8. Os seguidores de Pitágoras aplicaram estas razões ao comprimento de fios de corda em um instrumento chamado cânon, ou monocorda, e, portanto, foram capazes de determinar matematicamente a entonação de todo um sistema musical. Os pitagóricos viam estas razões governando todo o Cosmos assim como o som, e Platão descreve em sua obra, Timeu, "a alma do mundo" como estando estruturada de acordo com estas mesmas razões. Para os pitagóricos, assim como para platão, a música se tornou uma natural extensão da matemática, bem como uma arte.
Conforme a lenda, Pitágoras foi guiado pelos deuses na descoberta das razões matemáticas por trás dos sons, depois de observar o comprimento dos martelos dos ferreiros. A ele é creditado a descoberta do intervalo de uma oitava como sendo referente a uma relação de frequência de 2:1, uma quinta em 3:2, uma quarta em 4:3, e um tom em 9:8. Os seguidores de Pitágoras aplicaram estas razões ao comprimento de fios de corda em um instrumento chamado cânon, ou monocorda, e, portanto, foram capazes de determinar matematicamente a entonação de todo um sistema musical. Os pitagóricos viam estas razões governando todo o Cosmos assim como o som, e Platão descreve em sua obra, Timeu, "a alma do mundo" como estando estruturada de acordo com estas mesmas razões. Para os pitagóricos, assim como para platão, a música se tornou uma natural extensão da matemática, bem como uma arte.
| MONOCÓRDIO |
O maior impacto gerado por esta descoberta foi de que a harmonia sensível, percebida nas consonâncias musicais, estava relacionada à harmonia inteligível, representada pelos números.Essa correspondência entre
fenômenos físicos e os números foi a base da filosofia pitagórica.Esta idéia inspirou para o modelo platônico de música das esferas.Seu pensamento profético vislumbrou nos intervalos
musicais as leis que regem o Universo. Se os números apenas bastam para
explicar a consonância não poderia também o todo ser exprimível
como número ou proporção?
Através deste estudo podemos observar que a música pode ser o cominho para uma pedagogia mais humanizada, tão difundida e pouco aplicada em nosso dia a dia.
Danubia Rocha
Biobliografia:
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Musicalizando a escola: música, conhecimento e educação
editora: Escrituras
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