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Resenha do livro: POSTMAN, Neil. O Desaparecimento da Infância.

Resenha do livro: POSTMAN, Neil. O Desaparecimento da Infância. Tradução: Suzana Menescal de A. Carvalho e José Laurenio de Melo. Rio d...

Natal - valores ou consumismo?



Não é de hoje que se fala exaustivamente sobre o excesso de consumismo infantil. O quanto ele pode prejudicar o desenvolvimento emocional das crianças e afetar sua segurança e felicidades futuras.
Chegando perto do Natal, o tema se torna ainda mais chamativo. Afinal, para agradar aos pequenos hoje em dia, não basta apenas um presente entregue pelo próprio Papai Noel. Em muitas famílias, passou ser necessário cumprir uma lista de brinquedos exigidos pela criançada. Será este, de fato, o melhor caminho para promover a felicidade dos filhos nesta época do ano?



A década atual é assinalada por um expressivo crescimento no poder de compra das crianças latino-americanas. Superexpostas à propaganda e bem informadas sobre o universo do consumo, elas interferem não apenas na escolha de produtos infantis, mas também nas compras dos adultos. De 2005 a 2006, o percentual de influência das crianças saltou de 42% para 52% de acordo com o estudo "Crianças mandam: mudando a relação de poder entre as crianças e as mães latino-americanas". Realizada em junho de 2007 pela TNS, empresa britânica de pesquisas customizadas que há quatro anos monitora o comportamento de compra de crianças e adolescentes na América Latina, a pesquisa foi feita em cinco países -Brasil, Argentina, Chile, Guatemala e México - e ouviu crianças de até nove anos e suas mães.



A investigação revelou que as crianças menores ainda não controlam diretamente as compras da família, mas as influenciam bastante. As de 3 a 6 anos não têm noção de caro/barato, são altamente impulsivas e usam o dinheiro para comprar jogos e doces. Já as de 7 a 9 anos sabem o que é caro/barato, planejam, calculam, negociam e utilizam o dinheiro para comprar roupas de griffe, mp3, celulares e jogos eletrônicos. Elas percebem o impacto das marcas e também conhecem e se interessam por categorias destinadas aos segmentos adultos.

Para Isabella Henriques, coordenadora do Projeto Criança e Consumo do Instituto Alana, as crianças são estimuladas a ingressar mais cedo no universo adulto, absorvendo modas, hábitos e comportamentos inadequados para a sua fase de desenvolvimento. Ao mesmo tempo, tornam-se agentes para sensibilizar o restante da família. "As crianças hoje são consideradas pelo mercado publicitário como um exército de promotores de vendas capaz de influenciar fortemente os adultos na aquisição de qualquer produto ou serviço", afirma. Basta olhar os comerciais para constatar: os anúncios de produtos para adultos contêm apelos infantis como o uso de animação, efeitos especiais e crianças como atores, excesso de cores e mascotes.Um outro impacto é a formação de uma geração de adultos - de todos os segmentos sociais - que cresceu acreditando que para ser é necessário ter. "Teremos jovens que para se sentirem incluídos na sociedade procurarão todas as formas de satisfazer suas vontades, até mesmo por meio da violência e criminalidade. È um problema social e de valores", acredita Isabella.



O estudo da TNS (empresa britânica de pesquisas customizadas) constatou que as mudanças nas relações de poder entre pais e filhos no que se refere a compras estão diretamente relacionadas às alterações estruturais das famílias: maior participação da mulher no mercado de trabalho e aumento da média de mães solteiras e provedoras da família.
Na América Latina, a taxa de natalidade caiu pela metade na última década e o número de casamentos por 1000 habitantes está 25% menor. No mesmo período, o número de divórcios aumentou 30%. Com a crescente participação feminina no mercado de trabalho (aumento de mais de 30%), entrou em cena outro fator: a culpa. A pesquisa mostrou que os pais (especialmente os separados) e as mães que trabalham fora são os que mais cedem aos apelos dos filhos, movidos principalmente pelo sentimento de culpa. Um levantamento recente do Ibope confirma: mais da metade das mães que trabalham gostaria de se dedicar apenas aos filhos.

Todo esse mercado, impulsionado pela publicidade, não tem mecanismos eficazes de controle no que se refere à propaganda destinada a crianças.
A rigor, a legislação brasileira atual já proíbe a publicidade direcionada ao público de até 12 anos. Isso porque a criança não consegue entender a publicidade como tal (o que viola o princípio da identificação da mensagem publicitária, previsto no Código de Defesa do Consumidor) e não compreende o caráter persuasivo da publicidade, uma vez que tem interpretações muito literais: "Se o comercial diz que aquele é o melhor chocolate do mundo, a criança simplesmente acredita", explica Isabella Henriques, do Instituto Alana.
Como a lei brasileira é muito sutil e, por isso descumprida, surgiu em 2001 um projeto de lei do deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) que pretende tornar expressa a proibição de propaganda para crianças. A proposição - que altera o Código de Defesa do Consumidor - recebeu substitutivo da relatora, deputada Maria do Carmo Lara (PT-MG). Se for aprovada, proíbe a propaganda direcionada a crianças no horário das 7h às 21h.
Exemplo a ser seguido:A engenheira Tatiana Baddini, 36 anos, mãe de Lívia, 5 anos, acredita que o sentimento de solidariedade, doação e preocupação com o próximo são valores fundamentais que devem ser passados às crianças no Natal. Assim, todo ano ela participa do preparo das tradicionais sacolinhas de roupas, calçados, brinquedos e guloseimas endereçadas à crianças carentes. E conta com a participação de Lívia para fazê-las sorrir diante do bom velhinho.
"Minha filha participa desse processo em três momentos. Primeiro quando vou comprar as embalagens para colocar os presentinhos. O segundo, quando compramos a roupa, o sapato e o brinquedo da criança que vamos presentear. É complicado fazê-la compreender que estou entrando em uma loja de brinquedos para comprar algo que não seja para ela. Mas eu explico que não é só ela que gosta de brincar. Nunca compro nada para ela neste momento, que é para ela aprender a dividir. E sempre dá certo, pois ela aceita e me ajuda a escolher os presentes", diz Tatiana.
O terceiro momento de ajuda que ela recebe da filha é participando da festa de entrega das sacolinhas às crianças carentes. "Acredito que este é o momento de maior aprendizado. Ela fica ansiosa, faz questão de acordar cedo e vir comigo. Quando as crianças começam a chegar ao local, ela vai se aproximando até que, dentro de poucos minutos, já estão todos juntos brincando, se divertindo. Não tem nenhuma diferença: crianças felizes à espera do Papai Noel. Nesse dia, sim, sempre faço um saquinho e coloco um brinquedinho (geralmente compro na loja de R$1,99) para o bom velhinho entregar. Ela nunca me questionou dizendo que o brinquedo não é legal, pelo contrário, fica extremamente feliz, tanto quanto as outras crianças. Momento que me faz refletir o quanto são desnecessários brinquedos de luxo para causar alegria numa criança".



Oportunidade
A psicóloga Natércia Tiba diz que a época natalina é exatamente a oportunidade que os pais podem e devem aproveitar para ensinar aos filhos sobre as questões prejudiciais que envolvem o consumismo exagerado.
"Na hora de montar a árvore de Natal, por exemplo. É um momento em que se pode explicar o significado dos itens pendurados, do presépio e até do fato de a árvore ser um pinheiro, o que representa a Santíssima Trindade. É a hora das crianças, mesmo as pequenas, perceberem que a árvore não está ali apenas para que se coloquem montes de presentes ao redor".
Além disso, ressalta a psicóloga, não é necessário passar valores negativos em relação aos presentes. "Pelo contrário, é importante estimular a troca destas lembrancinhas, mostrando a eles o valor da confraternização, da indicação de carinho mútuo. Os pais podem, por exemplo, preparar com os filhos lembrancinhas simbólicas feitas por eles próprios para serem entregues aos familiares, demonstrando o amor e a boa intenção desta atitude".




Mundo melhor
E é desta forma que a engenheira Tatiana, de passo em passo, acredita estar fazendo de sua filhinha Lívia um ser que presta atenção no sentimento e dores de outras pessoas, que se preocupa com animais abandonados, que respeita os idosos, enfim, uma "pessoinha" boa. "Aos pouquinhos vamos tentando driblar a loucura que esse mundo está  ajudando a fazer - pelo menos um pouquinho- um mundo mais solidário".
Por Adriana Cocco

fonte:http://vilamulher.terra.com.br/consumismo-natal-8-1-55-521.html
http://aprendiz.uol.com.br/content/brimiuejec.mmp

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